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Emprego

FMI: Bolsa Família não afasta mulheres do mercado de trabalho

Estudo mostra que 84% das famílias atendidas têm mulheres como responsáveis; ressalva vale para mães com filhos pequenos

Redação ChicoSabeTudo
07 de setembro, 2026 · 19:21 2 min de leitura

Um levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que o Bolsa Família não provoca, de forma geral, queda na participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. A conclusão faz parte de uma análise que usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.

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Segundo o estudo, receber o benefício não tem desestimulado a busca por emprego entre as beneficiárias. Uma exceção aparece entre mães de crianças de até 6 anos: nesses casos, o FMI identificou associação entre o recebimento do auxílio e uma participação menor no mercado de trabalho.

O programa hoje atende 18,84 milhões de famílias em todo o país. Dessas, mais de 15,9 milhões são chefiadas por mulheres, o equivalente a cerca de 84% do total. São elas as responsáveis por administrar o dinheiro recebido e organizar as despesas dentro de casa.

O FMI também fez uma projeção: se o Brasil reduzir pela metade a diferença entre as taxas de participação de homens e mulheres no mercado de trabalho até 2033, o crescimento econômico do país pode ganhar um impulso de cerca de 0,5 ponto percentual ao ano.

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Entre os fatores que mais afastam as mulheres do emprego estão as tarefas de cuidado com filhos e afazeres domésticos, segundo o FMI. Pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que mulheres dedicam muito mais tempo a esse tipo de trabalho não remunerado do que os homens. Um dos levantamentos citados aponta que metade das mulheres deixa o mercado de trabalho nos dois anos seguintes ao nascimento do primeiro filho.

O estudo ainda descarta outro efeito colateral: o reajuste no valor mínimo do Bolsa Família, em vigor desde 2023, não fez trabalhadores migrarem do emprego formal para a informalidade, segundo a análise.

Para especialistas ouvidos no levantamento, medidas como ampliar o acesso a creches, fortalecer serviços de cuidado, melhorar as licenças parentais e reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres podem ter peso maior do que o próprio programa de transferência de renda na hora de aumentar a presença feminina no mercado de trabalho.

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Em Paulo Afonso, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDES) mantém cinco unidades de CRAS no município, onde são oferecidos serviços como Cadastro Único, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A secretaria também presta atendimento voltado à assistência social, inclusão produtiva e proteção de famílias. Não há, até o momento, dado municipal que permita medir o efeito do programa sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho na região.

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