Um levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que o Bolsa Família não provoca, de forma geral, queda na participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. A conclusão faz parte de uma análise que usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.
Segundo o estudo, receber o benefício não tem desestimulado a busca por emprego entre as beneficiárias. Uma exceção aparece entre mães de crianças de até 6 anos: nesses casos, o FMI identificou associação entre o recebimento do auxílio e uma participação menor no mercado de trabalho.
O programa hoje atende 18,84 milhões de famílias em todo o país. Dessas, mais de 15,9 milhões são chefiadas por mulheres, o equivalente a cerca de 84% do total. São elas as responsáveis por administrar o dinheiro recebido e organizar as despesas dentro de casa.
O FMI também fez uma projeção: se o Brasil reduzir pela metade a diferença entre as taxas de participação de homens e mulheres no mercado de trabalho até 2033, o crescimento econômico do país pode ganhar um impulso de cerca de 0,5 ponto percentual ao ano.
Entre os fatores que mais afastam as mulheres do emprego estão as tarefas de cuidado com filhos e afazeres domésticos, segundo o FMI. Pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que mulheres dedicam muito mais tempo a esse tipo de trabalho não remunerado do que os homens. Um dos levantamentos citados aponta que metade das mulheres deixa o mercado de trabalho nos dois anos seguintes ao nascimento do primeiro filho.
O estudo ainda descarta outro efeito colateral: o reajuste no valor mínimo do Bolsa Família, em vigor desde 2023, não fez trabalhadores migrarem do emprego formal para a informalidade, segundo a análise.
Para especialistas ouvidos no levantamento, medidas como ampliar o acesso a creches, fortalecer serviços de cuidado, melhorar as licenças parentais e reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres podem ter peso maior do que o próprio programa de transferência de renda na hora de aumentar a presença feminina no mercado de trabalho.
Em Paulo Afonso, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDES) mantém cinco unidades de CRAS no município, onde são oferecidos serviços como Cadastro Único, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A secretaria também presta atendimento voltado à assistência social, inclusão produtiva e proteção de famílias. Não há, até o momento, dado municipal que permita medir o efeito do programa sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho na região.







