Um dos marcos do cinema brasileiro retorna às salas de exibição nesta quinta-feira (16). "Xica da Silva" (1976), de Cacá Diegues, retorna aos cinemas 50 anos depois do lançamento original em versão restaurada em 4K. O relançamento integra o projeto Sessão Vitrine Petrobras e acontece em todo o país.
Salvador tem sessões confirmadas no Cine Glauber Rocha, nos dias 16 (quinta), 18 (sábado) e 21 (terça-feira), todas às 19h30. Os ingressos custam a partir de R$ 11,20 e podem ser adquiridos pelo site oficial do cinema.
A Sessão Vitrine Petrobras é um projeto de distribuição de filmes brasileiros em salas comerciais realizado pela distribuidora Vitrine Filmes, que estreia filmes a preços reduzidos e realiza sessões com debates, com o objetivo de fomentar a formação de público para o cinema e democratizar o acesso ao audiovisual nacional. Nesta nova edição, a iniciativa pela primeira vez também promove o resgate da história do audiovisual brasileiro com filmes de patrimônio remasterizados.
A restauração gerou um arquivo de cerca de 20 terabytes e teve como base um projeto anterior da própria Petrobras, realizado entre 2009 e 2011, quando o filme já havia sido restaurado em resolução 2K com acompanhamento do diretor Cacá Diegues. Desta vez, o trabalho foi feito a partir do negativo original e atualizado para o padrão 4K.
Débora Butruce, responsável pela coordenação técnica do processo, explica o objetivo: "Surgiu essa ideia de lançar Xica da Silva novamente nos cinemas e, junto com isso, fazer a restauração digital em 4K, para que ele voltasse o mais belo possível às salas e pudesse apresentar toda a potencialidade do filme para essa nova geração de espectadores." O filme também conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília.
O relançamento representa ainda uma homenagem ao legado de Cacá Diegues, falecido no início de 2025. Fundador do Cinema Novo, o cineasta construiu uma das carreiras mais influentes da história do cinema nacional, tendo em "Xica da Silva" seu maior sucesso de público. Foi justamente "Xica da Silva" o primeiro de seus filmes escolhido para representar o Brasil no Oscar.
O longa reinventou a representação da personagem histórica inspirada em Chica da Silva, mulher negra escravizada que conquistou a alforria e alcançou posição de destaque na sociedade do Distrito Diamantino, em Minas Gerais, no século XVIII. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal envia um emissário para impedir que cresça o poder de Xica na colônia.
Antes mesmo de existir nas telas, "Xica da Silva" nasceu da inspiração que Cacá Diegues encontrou no desfile dos Acadêmicos do Salgueiro de 1963, dedicado à personagem histórica. A coincidência ganhou novo significado porque a escola voltará a homenagear a personagem no desfile de 2027.
A atriz Zezé Motta afirma que "Xica da Silva" "nunca foi apenas um filme", mas uma obra que abriu discussões sobre poder, raça, desejo, liberdade e as contradições da formação do Brasil. Ela finalizou: "Tenho muita alegria em ver Xica da Silva fazendo parte desse movimento e podendo continuar emocionando e provocando reflexões 50 anos depois."
A primeira exibição da versão restaurada aconteceu no final de junho, durante a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, principal evento brasileiro dedicado à preservação audiovisual. O relançamento nacional, a partir desta quinta-feira, leva o filme a mais de 30 cidades do Brasil simultaneamente.







