Uma proposta simples, pensada para arrecadar alguns recursos a uma instituição filantrópica, virou uma das mais duradouras iniciativas beneficentes da cena cultural baiana. O Festival Emoções chega à sua 35ª edição nesta quinta-feira, 16 de julho, e quem esteve presente desde o início guarda memórias que vão muito além dos palcos.
A história começa em 1990, quando dona Wanda Mesquita, conselheira do Instituto de Cegos da Bahia (ICB), procurou Tina Leiro, diretora da Escola de Dança, Arte e Cultura Galega e Espanhola (EDACE). A conversa inicial era sobre um jantar beneficente. Tina tinha outras ideias. Segundo informações divulgadas pelo portal A TARDE, ela sugeriu reunir várias escolas de dança no Teatro Castro Alves para ampliar a capacidade de arrecadação — aproveitando os 1.500 lugares da casa.
A proposta funcionou. Criado em 1991, o evento passou a apresentar diferentes vertentes da dança em uma mesma noite, com toda a renda destinada ao ICB. Tina nunca mais saiu do projeto. "Eu estou desde o primeiro momento, lá em 1991. A ideia é ajudar uma instituição que vive exclusivamente de doação", declarou ela ao portal A TARDE.
Quem também acompanha o festival desde a estreia é a dançarina Luciana Pitanga. Ela começou como bailarina do Jazz Karla Landim na primeira edição e, ao longo das décadas, foi assumindo o papel de diretora do grupo Pitanga Team, que leva a zumba ao palco. Segundo o portal A TARDE, Luciana destaca a proposta inclusiva do trabalho: mostrar a dança como possibilidade aberta a qualquer pessoa, sem exigência técnica ou limitação.
Realizado desde 1991, o festival chega à edição de 2026 consolidado como um dos principais eventos da dança no estado, contribuindo há mais de três décadas para a manutenção das atividades desenvolvidas pelo ICB. O instituto convive com o desafio diário de manter os atendimentos de maneira 100% gratuita pelo SUS, além de precisar investir em equipamentos e infraestrutura.
Desde 1933, o Instituto de Cegos da Bahia atua nas áreas de saúde, educação e assistência social em prol da inclusão dos deficientes visuais. Atuando há quase 100 anos no suporte a pessoas com deficiência visual, o ICB realiza atendimentos médicos e psicológicos de forma gratuita pelo SUS, com ações de prevenção à cegueira, diagnóstico precoce e inclusão social de pessoas com deficiência visual — incluindo cegos, pessoas com baixa visão, surdocegos e com múltipla deficiência.
O Festival Emoções 2026 acontece no Teatro SESC Casa do Comércio, em Salvador, no dia 16 de julho, às 19h30. Com o tema "Existem Muitas Formas de Ver o Mundo", o evento reúne 10 escolas e grupos de dança da Bahia, com toda a arrecadação destinada ao ICB. O espetáculo beneficente conta com audiodescrição e interpretação em Libras simultânea durante o show.
A programação inclui a participação especial da cantora Manu Dourado, que representa o ICB, e passeia por balé clássico, jazz, dança contemporânea, dança moderna, dança afro-brasileira e dança popular. Segundo informações divulgadas pelo portal A TARDE, a coordenadora Fátima Suarez garante que a apresentação de Manu Dourado, com danças ao vivo enquanto ela canta, será um dos momentos mais emocionantes da noite.
Para Tina Leiro, que sente falta de escolas parceiras que fecharam ao longo das décadas, o projeto continua de pé pelo mesmo motivo que o fez nascer: amor à causa. "O Instituto de Cegos da Bahia é uma obra linda que vive exclusivamente de doações. É um projeto que se mantém em pé por amor", afirmou ela ao portal A TARDE. Três décadas e meia depois, a dança continua sendo o idioma dessa solidariedade.







