O sol do sertão pernambucano ainda não havia esquentado de vez quando a família Lima, vinda do Crato, no interior do Ceará, já estava posicionada no Parque João Câncio, em Serrita. Neste domingo (26), eles estavam lá pela terceira vez consecutiva. Mesma caravana, mesma fé, mesmo destino.
Segundo informações divulgadas pelo Blog do Didi Galvão, os familiares organizam a viagem há três anos seguidos para participar da Missa do Vaqueiro, que chegou à sua 56ª edição. Para eles, estar em Serrita vai além de um compromisso religioso — é uma forma de homenagear os homens e mulheres que moldaram a identidade da Caatinga.
A presença de uma família cearense ilustra o alcance do evento. O município fica a cerca de 540 quilômetros do Recife, mas atrai visitantes de todo o Brasil para o que é considerada a maior e mais tradicional celebração dedicada aos vaqueiros do Nordeste brasileiro. Grupos como o dos Lima provam que as fronteiras estaduais não freiam a devoção sertaneja.
Criada em 1970 por Padre João Câncio, Luiz Gonzaga e o poeta Pedro Bandeira, a Missa do Vaqueiro de Serrita chegou à 56ª edição neste domingo, 26 de julho. A celebração nasceu como uma homenagem a Raimundo Jacó, vaqueiro e primo de Luiz Gonzaga morto no Sertão pernambucano, e desde então passou a reunir vaqueiros, romeiros, famílias e visitantes em torno da fé, da memória e da cultura popular.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, a missa mantém seu significado simbólico ao homenagear o vaqueiro Raimundo Jacó e reafirmar o papel dos vaqueiros na formação do semiárido. De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam oferendas em honras a Raimundo Jacó.
A programação combina cerimônia religiosa, aboios e apresentações de artistas consagrados da música nordestina. Estão confirmadas apresentações de Flávio Leandro, Fábio Carneirinho, Daniel Gonzaga, Sarah Leandro, Coral Aboios de Serrita e Quinteto Violado, além dos aboiadores Chico Justino, Fernando Aboiador, Léo Aboiador e Antônio Santana.
Realizado desde 1970, o encontro preserva tradições ligadas ao homem do campo, reconhece a contribuição histórica dos vaqueiros para a formação do Sertão e mantém viva uma manifestação que se tornou referência para eventos semelhantes em diferentes estados do país. A família Lima, do Crato, é mais um capítulo vivo dessa história.







