O mundo das artes visuais do Nordeste perdeu neste sábado, 25 de julho, uma de suas figuras mais expressivas. Joubert Moraes, nascido em 13 de dezembro de 1947 em Propriá, no sertão sergipano, faleceu deixando uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à pintura, à escultura e à música. Ele deixa esposa, uma filha e um neto, segundo informações divulgadas pelo portal Infonet.
Nascido no seio de uma família de artistas — o pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira —, não demorou para Joubert despertar para o universo artístico. Aos treze anos já esboçava os primeiros desenhos. A irmã Gêlda Maria era pintora e, ao desistir do ofício, deu ao irmão mais novo todo o seu material de trabalho. Na adolescência, já imerso nas artes, Joubert passou a cultivar o gosto pela pintura.
Fez sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. A partir daí, a produção do artista não parou mais. Em 1976, pintou os afrescos da Igreja da Ascensão, em São Francisco do Conde, na Bahia. O trabalho nesse município baiano, vizinho à região do São Francisco, consolidou sua presença além das fronteiras sergipanas.
Ao longo da carreira, realizou exposições em diversas partes do Brasil, entre elas a Igreja do Solar do Unhão, na Bahia, a Galeria Tina Zapolli, no Rio Grande do Sul, e participou de mostra coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Segundo informações divulgadas pelo Infonet, obras de Joubert chegaram a coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, influenciando gerações de artistas sergipanos.
Considerado um dos nomes mais relevantes da história da arte em Sergipe, em setembro de 2024 ele abriu no Museu da Gente Sergipana a exposição "Joubert – 60 anos de Arte", fomentada pelo Programa FUNARTE Retomada 2023 – Artes Visuais, que celebrou sua trajetória e revelou as múltiplas fases do artista por meio de telas e esculturas. Foi sua última grande retrospectiva em vida.
O governador Fábio Mitidieri lamentou o falecimento e destacou o valor do legado deixado, afirmando que a trajetória do artista — marcada pela pintura, escultura e música — representa uma contribuição "de enorme valor para Sergipe e para as futuras gerações", de acordo com nota divulgada pela assessoria do governo estadual. O secretário de Estado da Cultura, Valadares Filho, também manifestou pesar pela perda.
Ao longo de sua trajetória, Joubert Moraes recebeu diversas homenagens, entre elas a Comenda Cultural Tobias Barreto e o Prêmio Mestre da Cultura Popular, em reconhecimento à sua contribuição para a arte e a cultura sergipanas. Artista premiado, também recebeu o Prêmio Horácio Hora de Artes Plásticas e, em dezembro de 1984, ganhou o Prêmio J. Inácio, do Salão Nuarte, concedido pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura, com uma escultura em parafina rósea intitulada "Cor Nua".
O crítico de arte Wilson Rocha chegou a descrever a obra de Joubert como dotada de "força do instinto e lucidez da consciência pictórica", com "uma paixão desmedida e uma total ausência de complexos". O próprio artista definia sua pintura como plasmática, carregada de mistérios: "Eu não desenho, eu plasmo" — frase que resume bem a intensidade de quem passou a vida transformando tela e pedra em arte.







