Uma viagem para conhecer Maceió, um passeio até o interior e o fim de uma vida em São Paulo. Foi assim, quase por acidente, que Renata Anibal e Paulo Michelotto acabaram fincando raízes em Arapiraca, no Agreste alagoano, e construindo o que hoje é reconhecido como a mais tradicional confeitaria da cidade.
O Pecado da Gula existe desde 1997. Paulo é paulista de Americana. Renata nasceu no Mato Grosso, tem raízes em Feira Grande, em Alagoas, mas foi criada na capital paulista. Os dois administravam uma cantina e uma casa de shows quando decidiram conhecer o litoral alagoano — e o plano mudou no meio do caminho.
Segundo informações divulgadas pelo portal TNH1, ao passarem por Arapiraca durante a viagem, o casal se encantou pela cidade. "Viemos buscar uma tia para morar conosco e acabamos encantados com Arapiraca. Era inverno e adoramos o clima. Voltamos para São Paulo com a ideia de um dia morar aqui. E foi exatamente o que aconteceu", lembrou Renata. A confeitaria não era o plano inicial: o casal trabalhava com pequenos negócios e vendas até os doces começarem a ganhar espaço.
Renata já tinha intimidade com a cozinha desde os 14 anos, com um curso no Senac, e aprendia pelas revistas Cláudia Cozinha e Gula, além de acompanhar o programa Note e Anote, de Ana Maria Braga. Mas foi o marido, apaixonado por doces, quem a incentivou a mergulhar de vez na confeitaria. O cardápio inicial era tipicamente paulistano: tortas de frutas, floresta negra, toucinho do céu, pudim de claras. No começo, quase tudo encalhou.
"Os primeiros clientes não entenderam nossa proposta. Perdemos praticamente toda a produção. Mas insistimos. Bastou as pessoas provarem para a confeitaria começar a ser comentada na cidade", contou Renata, de acordo com a reportagem original. A virada veio da fidelidade ao processo artesanal — e de uma feliz improvisação. Certo dia, faltou o ingrediente da cobertura, mas havia farinha láctea na despensa. Da substituição nasceu o bolo que se tornaria o campeão de vendas da casa e um dos mais queridos do Agreste alagoano.
O diferencial da confeitaria está na massa dos bolos. Segundo Renata, não é um pão de ló tradicional, mas uma massa mais rica, próxima da genoise — extremamente fofinha, leve e que absorve bem caldas de cereja, leite de coco ou rum. Todo o processo é artesanal, sem recheios ou coberturas industrializados. "Se a proposta sempre foi fazer confeitaria artesanal, vamos continuar fiéis a ela", afirma a proprietária.
A história da família também está impressa no cardápio. Os filhos do casal, os chefs Nicholas e Daphne, hoje comandam o restaurante Coevo, em Arapiraca. A mãe criou um bolo com o nome de cada um: o Nicholas tem massa de chocolate com recheio de cupuaçu; o Daphne leva massa branca, três camadas de ganache de chocolate branco aromatizadas com cereja, amora e morango, chantilly e calda de caramelo salgado.
O Pecado da Gula é a mais tradicional confeitaria de Arapiraca, desde 1997. Avaliada com nota 4,5 de 5 no TripAdvisor, com 84 avaliações, figura entre os três melhores restaurantes da cidade. Frequentadores destacam o ambiente agradável, o atendimento excepcional e os bolos como carro-chefe, com avaliações que colocam o padrão da casa acima de estabelecimentos de Arapiraca e até de Maceió.
Muitos membros da equipe trabalham com a família há mais de duas décadas, preservando técnicas e receitas que tornaram o endereço uma referência no Agreste. O Pecado da Gula funciona de segunda a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos, das 10h às 21h. Fica na Rua Estudante José de Oliveira Leite, 543, no Centro de Arapiraca. Uma fatia do famoso bolo de Farinha Láctea custa R$ 18,00. No Instagram, o perfil @pecadodagulaarapiraca reúne mais de 60 mil seguidores.







