Um grupo de 11 capoeiristas alemães do Biriba Brasil, de Düsseldorf, percorreu as ruas do Centro Histórico de Salvador em um roteiro que mistura igrejas, praças e ladeiras à trajetória da capoeira. A caminhada faz parte do Tour Capoeirístico, criado em 2007 pelo Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem (CTE Capoeiragem), liderado por Ricardo Carvalho, o Mestre Balão.
O percurso reúne 23 pontos ligados a personagens que marcaram a história da manifestação afro-brasileira, entre eles o Mercado Modelo, a Primeira Academia de Capoeira de Mestre Bimba e o quartinho onde Mestre Pastinha viveu. Para Mestre Balão, o diferencial do tour é permitir que o visitante viva a história no próprio lugar onde ela aconteceu.
"O Tour Capoeirístico surge de uma necessidade de, cada vez mais, a gente expandir toda essa concepção da história da capoeira", explicou o mestre. Segundo ele, livros e teses acadêmicas contam a trajetória da capoeira, mas o tour propõe outra experiência: sentir de perto o ambiente onde os fatos aconteceram, tocar as pessoas, jogar capoeira e cantar as músicas que embalam essa história.
A ideia nasceu em 2007, quando Mestre Balão conheceu em Portugal um projeto que apresentava a turistas os pontos ligados à saída das caravelas de Lisboa. A pesquisa que deu origem ao roteiro em Salvador teve a participação do historiador Frede Abreu, morto em 2013, e mais tarde recebeu contribuições de outros dois nomes que se dedicam ao tema: Carlos Eugênio L. Soares e Antônio Liberac Cardoso Simões Pires.
Quem liderou a visita dos alemães foi Marcos Pacheco, o Mestre Jari, nascido no Amapá e radicado há dez anos na Alemanha, onde comanda a Comunidade Estamos Juntos Capoeira. Ele já é veterano no roteiro e promete voltar com novos grupos. "Cada vez que eu venho, eu aprendo muito mais. Mestre Balão é uma pessoa que realmente conhece de história", afirmou.
Ao longo de quase duas décadas, mais de 4 mil pessoas já participaram do tour, a maioria praticante de capoeira em outros países que busca conhecer a origem do que aprendeu fora do Brasil. Entre os alemães do grupo estava o francês Mathew, o Galinho, radicado na Alemanha, que destacou a experiência de caminhar por locais como a Praça da Sé.







