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Cultura

Metrô do Campo Grande revela sítio arqueológico do século 19

Iphan aprova relatório sobre 235 peças achadas nas obras da estação em Salvador; acervo vai para Uneb

Redação ChicoSabeTudo
23 de setembro, 2026 · 14:11 3 min de leitura

As obras da futura Estação Campo Grande, em Salvador, identificaram um sítio arqueológico durante as sondagens preventivas do Tramo IV da Linha 1 do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas. O local reúne materiais ligados ao cotidiano da elite baiana que vivia na região no século XIX. [F1.a, F1.b, F1.k]

Os documentos obtidos pelo portal A TARDE junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apontam a existência de 235 bens móveis. O conjunto inclui peças de louça produzidas na Inglaterra e em Portugal, porcelanas, recipientes de bebidas, frascos, ossos e outros materiais. [F1.c, F1.d]

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A área tem 188,41 metros quadrados e fica onde funcionava a antiga Fundação João Fernandes da Cunha. A maior parte do material é da segunda metade do século XIX. Os pesquisadores identificaram ali uma antiga área usada para jogar fora resíduos domésticos. [F1.e, F1.f, F1.g]

Na composição do acervo, os vidros respondem por 30% e as faianças, por 28%. Também aparecem ossos, com 11%; cerâmicas locais ou regionais e telhas, com 7% cada; cerâmica vidrada, com 6%; conchas, com 3%; além de grés, metais, porcelanas, pisos e outros itens em proporções menores. [F1.h, F1.i, F1.j]

O trecho foi preservado por causa de um porão que existia em uma construção demolida. Em uma sondagem, os materiais estavam entre 1,80 metro e 2,20 metros abaixo do solo. Esse ponto concentrou 220 peças. O terreno passou por aterros e nivelamento a partir da década de 1850. [F1.l, F1.m, F1.n, F1.o]

As sondagens no leito da via também encontraram conduítes cerâmicos vitrificados, de passagem única. A análise indica que eles vieram dos Estados Unidos ou da Inglaterra e chegaram a Salvador entre 1910 e 1930. [F1.p, F1.q]

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A escavação do poço da estação atingirá diretamente o sítio. Por isso, foi planejada a retirada completa dos vestígios antes da continuidade da obra. O material já recebeu procedimentos de limpeza, conservação, separação, registro e numeração em um laboratório montado no canteiro. Após essa etapa, será guardado de forma permanente no Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Uneb, no Campus VII, em Senhor do Bonfim. [F1.r, F1.s, F1.t, F1.u]

Entre 26 e 28 de agosto, atividades de educação patrimonial reuniram 83 pessoas. Participaram 69 estudantes de dois colégios estaduais e 14 trabalhadores, comerciantes, feirantes e outros integrantes da comunidade próxima. [F1.v, F1.w, F1.x]

O Iphan aprovou os relatórios de avaliação do impacto arqueológico e de educação patrimonial da estação. O órgão recomendou o Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico e manteve o licenciamento ambiental condicionado ao cumprimento das medidas previstas. [F1.y, F1.z]

O projeto prevê uma estação subterrânea com 10.109,73 metros quadrados, nove níveis e um poço circular de 37 metros de diâmetro. A plataforma deverá ficar a cerca de 40 metros da superfície, enquanto a galeria de cabos alcançará aproximadamente 46 metros. Estão previstos dois acessos: um junto à Rua Forte de São Pedro e ao Largo do Campo Grande, integrado a um shopping, e outro perto da praça. [F1.aa, F1.ab, F1.ac, F1.ad, F1.ae, F1.af, F1.ag]

A área diretamente influenciada pela obra inclui o Forte de São Pedro, o Teatro Castro Alves, os azulejos da Reitoria da UFBA, o Forte São Paulo da Gamboa, a Fonte de São Pedro, a Escola de Belas Artes e o Palácio da Aclamação. [F1.ah]

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