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Cultura

Bell Marques defende retorno do Axé Music: 'Existe um ciclo'

Em coletiva de imprensa, Bell Marques celebra o retorno do Axé Music e explica que o movimento é um ciclo natural, impulsionado por artistas e compositores.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
31 de dezembro, 2025 · 03:33 3 min de leitura
Foto: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias
Foto: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias

O Axé Music, ritmo que marcou gerações e é sinônimo do Carnaval de Salvador, mostra sinais claros de um retorno em grande estilo. Para Bell Marques, um dos ícones do gênero, essa volta é mais do que uma tendência; é um "ciclo" natural. Em uma coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (30), pouco antes de sua performance no prestigiado Festival Virada Salvador, que aconteceu na Arena O Canto da Cidade, no bairro da Boca do Rio, em Salvador, na Bahia, o cantor expressou seu otimismo e defendeu a força renovada da Axé Music.

A Reinvenção de um Gênero: Um Ciclo Natural

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Bell Marques observa que o retorno de projetos ligados à Axé Music, como o seu próprio "Trivela", e até mesmo a especulação sobre a música do Carnaval de 2025, são fortes indicativos desse movimento. Ele enxerga esse fenômeno não como algo forçado, mas como parte de um processo que faz as pessoas se reconectarem com o ritmo.

"Os projetos da Axé Music que aconteciam, eles todos vão retornar, não somente eu. Existe um ciclo e você acaba andando com ele, onde as pessoas voltam a se adaptar", declarou o artista, explicando que essa dinâmica é intrínseca à vida cultural e musical. A ideia é que, após um período de experimentação com outros estilos, o público e os criadores naturalmente voltem às suas raízes.

O cantor explicou que, ao longo do tempo, a estrutura das composições do Axé passou por mudanças. Antigamente, a fórmula de sucesso era baseada em refrões fáceis de cantar e que convidavam à interação, incentivando uma participação mais intensa da plateia, com "movimentos de mão" e coreografias simples que todos pudessem seguir. Essa característica de contato direto com o público foi sendo, de certa forma, perdida, levando a um estilo com menos engajamento coletivo.

A Chave nas Mãos dos Compositores

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Para Bell, a responsabilidade por essa retomada não recai apenas sobre os cantores que estão nos palcos. Ele destaca o papel fundamental dos compositores, os verdadeiros arquitetos das canções. O artista reconhece que houve um momento em que a produção musical talvez tenha se desviado um pouco do caminho que tornava o Axé tão vibrante.

"Quando eles perdem esse caminho, assim como qualquer profissional, às vezes começa a somente chutar a bola na trave, a música fica meio capenga e hoje eles estão retomando", contou Bell. Ele reforça que a arte de criar uma música que seja "simples, mas contagiante" é um desafio e tanto, exigindo sensibilidade para captar o que ressoa com o público. A boa notícia, segundo ele, é que os compositores estão demonstrando uma facilidade crescente em reencontrar essa essência, apostando em melodias e letras que reconectam a banda e o público.

Com essa renovação na criação musical, Bell Marques expressa grande confiança. Ele acredita que é apenas uma questão de tempo para que todos os projetos relacionados à música baiana voltem a exibir sua força total, conquistando novamente um lugar de destaque no cenário nacional.

A Força da União para o Futuro do Axé

Para que o Axé Music atinja seu pleno potencial de sucesso novamente, Bell Marques enfatiza que o esforço deve ser coletivo. A ideia de que um único artista pode carregar todo o gênero nas costas é irrealista; o verdadeiro poder está na soma de talentos e na colaboração.

"Eu não posso fazer sucesso sozinho, Durval não pode fazer sucesso sozinho. Nós precisamos de muitos artistas pra fazer sucesso e voltar a sermos o que era antigamente, uma das músicas mais desejadas, o caminho, a rota mais desejada da música na música baiana", completou Bell. Essa visão colaborativa é essencial para recriar o ecossistema vibrante que fez do Axé uma paixão nacional, transformando-o novamente em um farol de criatividade e alegria para a música brasileira.

A fala de Bell Marques no Festival Virada Salvador ressoa como um chamado à união e à celebração de um gênero que, mesmo em ciclos, nunca perdeu seu brilho e sua capacidade de mobilizar multidões.

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