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Relatório revela a receita dos golpistas: Pix e promessa de retorno financeiro dominam fraudes digitais no Brasil

Levantamento do Observatório Lupa analisou 115 conteúdos fraudulentos e identificou padrão repetitivo que engana milhões de brasileiros — inclusive pelo WhatsApp.

Redação ChicoSabeTudo
18 de junho, 2026 · 04:51 3 min de leitura
Pessoa segurando celular com símbolo do Pix na tela, representando golpes digitais no Brasil
Pessoa segurando celular com símbolo do Pix na tela, representando golpes digitais no Brasil

Não é coincidência que aquela mensagem suspeita no celular sempre promete dinheiro fácil e pede que você pague algo via Pix. Um novo levantamento mostra que essa combinação virou o método favorito dos criminosos digitais no país.

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A segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes, divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa, analisou 115 conteúdos fraudulentos que circularam amplamente no país entre maio de 2024 e abril de 2026. Os resultados mostram um padrão claro e repetitivo que segue fazendo vítimas em todo o Brasil.

Cerca de um terço dos golpes exigia pagamentos exclusivamente via Pix. Além disso, 71% das fraudes prometiam algum tipo de vantagem financeira, enquanto 74% utilizavam a imagem de empresas, instituições ou personalidades conhecidas para transmitir credibilidade.

Entre as estratégias que reaparecem ao longo do ano com pequenas adaptações estão promoções falsas, indenizações inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benefícios sociais fictícios e brindes supostamente gratuitos, sempre acompanhando datas sazonais e temas em evidência no noticiário. Em outras palavras: os golpistas surfam nas notícias do momento para dar mais veracidade às armadilhas.

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Em 66% dos casos analisados, os criminosos partiram de informações verdadeiras para construir narrativas enganosas. Isso inclui a manipulação de reportagens jornalísticas, comunicados oficiais, campanhas legítimas, decisões judiciais, programas governamentais e páginas institucionais.

As marcas mais usadas indevidamente para dar aparência de legitimidade às fraudes também foram identificadas. Mais de 15 empresas de varejo, bancos, marketplaces e plataformas digitais tiveram seus nomes explorados por criminosos, com destaque para Mercado Livre e Nubank, com quatro ocorrências cada. Shopee, Serasa e Rede Globo também aparecem entre as mais utilizadas. Jornalistas, médicos e influenciadores digitais igualmente foram usados para reforçar a falsa credibilidade das mensagens.

O WhatsApp se consolidou como o principal corredor de distribuição dessas fraudes. A maior parte das fraudes começa em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok, e depois migra para ambientes mais privados, especialmente formulários online e aplicativos de mensagens. O WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes analisados entre maio de 2025 e abril de 2026.

O cenário fica ainda mais grave quando se observa os dados gerais de fraude digital no país. Entre janeiro e setembro de 2025, foram contabilizados 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix, segundo a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP). A faixa etária mais vulnerável segue sendo a de pessoas acima de 50 anos, que correspondem a 53% das vítimas.

A pesquisadora Beatriz Farrugia, responsável pelo relatório do Observatório Lupa, destaca que os golpistas não precisam reinventar a roda. "Eles reutilizam estruturas que já funcionaram, adaptam a narrativa ao contexto do momento e se aproveitam da confiança que as pessoas depositam em marcas conhecidas, instituições e figuras públicas." Para ela, justamente por seguirem padrões previsíveis, essas fraudes podem ser combatidas com mais eficiência.

A pesquisadora defendeu uma atuação coordenada entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, veículos de imprensa e usuários para enfrentar os golpes online. Enquanto esse esforço coletivo não se consolida, a melhor proteção continua sendo a desconfiança: se a oferta parece boa demais e o pagamento é só via Pix, é golpe.

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