Uma nova portaria federal mudou as regras do Cadastro Único para famílias compostas por uma só pessoa — e criminosos já estão aproveitando o momento para aplicar golpes. Prefeituras de todo o Brasil estão em alerta e orientando a população a identificar os agentes oficiais antes de abrir a porta.
Em 15 de julho de 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social publicou a Portaria MDS nº 1.199, assinada pelo ministro José Wellington Barroso de Araújo Dias. A norma altera a Portaria MDS nº 1.145, de dezembro de 2025, que trata dos procedimentos de atualização cadastral de famílias unipessoais no Programa Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A partir de 1º de julho de 2027, as atualizações cadastrais de famílias unipessoais beneficiárias do Bolsa Família somente poderão ser realizadas no domicílio da família, ressalvadas as exceções regulamentadas pelo órgão federal gestor do CadÚnico. A portaria também prorrogou até 31 de dezembro de 2026 o cronograma de atualização cadastral dessas famílias.
Até julho de 2027, a ausência da entrevista domiciliar não impede o acesso ou a manutenção de benefícios sociais — flexibilização estabelecida por meio de acordo firmado entre o MDS, o INSS e a Defensoria Pública da União. A dispensa, no entanto, não se aplica a todos os casos: a entrevista domiciliar permanece obrigatória para quem solicitar ingresso no Bolsa Família e para cadastros em processo de averiguação de inconsistências.
De acordo com as orientações do MDS, a entrevista domiciliar tem o objetivo de confirmar informações como endereço, composição familiar e condições declaradas no CadÚnico — e não deve ser tratada como vistoria patrimonial. A entrevista deve ser realizada preferencialmente em área externa, como quintal ou entrada do imóvel, e o entrevistador só pode entrar na residência mediante autorização do morador.
É justamente nesse contexto de visitas domiciliares que os golpes têm ocorrido. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), criminosos se fazem passar por entrevistadores do Cadastro Único para enganar moradores durante falsas visitas. O alerta vale para qualquer município do país, incluindo cidades da Bahia e da região do São Francisco.
Para não cair no golpe, é fundamental saber o que os agentes oficiais fazem — e o que eles jamais fazem. Segundo a Semfas de Aracaju, os entrevistadores credenciados usam colete com identificação "Cadastro Único" e crachá funcional. Durante as visitas, eles não entregam cartões de benefício como o Vale Gás, não pedem senhas ou dados bancários e não realizam reconhecimento facial.
Criado em 2001, o Cadastro Único é o principal instrumento do governo federal para identificar famílias de baixa renda. O sistema reúne informações socioeconômicas que selecionam beneficiários de programas sociais — é a porta de entrada para o Bolsa Família, o BPC e outras políticas públicas. Além dos programas federais, estados e municípios também usam o CadÚnico para concessão de benefícios locais e para atender famílias atingidas por desastres naturais, como enchentes.
Em caso de dúvida sobre a identidade de quem bate à porta, a orientação é não permitir a entrada e procurar imediatamente o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo. O CRAS ou o setor responsável pelo CadÚnico no município são os canais corretos para esclarecer dúvidas sobre cadastro ou atualização de dados. Suspeitas de fraude devem ser denunciadas aos canais oficiais da prefeitura local.







