A Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, tratando de operações entre as duas instituições. As conversas foram obtidas depois que o sigilo de documentos ligados ao caso foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (F1.a; F1.c; F2.c).
Segundo a investigação, os diálogos indicam ajustes para viabilizar a compra de créditos do Master pelo BRB, mesmo com problemas identificados nas carteiras negociadas. Em um dos trechos, os investigadores apontam discussão sobre como compensar eventuais perdas em operações futuras (F1.d; F1.e).
Para a Polícia Federal, o conteúdo das mensagens sugere uma relação entre os dois que ia além de uma parceria comercial comum entre bancos (F1.f).
As fontes consultadas apresentam números diferentes para as fraudes, conforme o recorte analisado. Uma reportagem do Jornal de Brasília cita a conclusão da PF de que as operações fictícias ou materialmente insubsistentes somam cerca de R$ 17 bilhões, envolvendo produção de documentos falsos e uma empresa de fachada (F2.a; F2.b; F2.c1). Já um documento do STF, assinado pelo ministro André Mendonça em decisão de 15 de abril de 2026, aponta que o BRB teria adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Master até junho de 2025 — valor referente especificamente a essas carteiras, e não ao total das operações apuradas.
Ainda de acordo com o Jornal de Brasília, a empresa Tirreno teria sido criada para funcionar como veículo de emissão e circulação dos ativos usados nas operações. A reportagem também menciona que o BRB teria aprovado compras de carteiras com trâmite acelerado, em alguns casos contrariando pareceres jurídicos que recomendavam consulta prévia ao Conselho de Administração (F2.g; F2.h).
A Polícia Federal atribui à alta administração do BRB, e em especial a Paulo Henrique Costa, conivência e atuação dolosa nas operações investigadas, segundo trecho reproduzido pela reportagem: "As investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa" (F2.c1; F2.e).
O Jornal de Brasília ainda relata que o BRB transferiu cerca de R$ 20 bilhões para operações consideradas incompatíveis com a solidez do banco, e que uma tentativa de compra do próprio Banco Master pelo BRB, em 2025, foi rejeitada pelo Banco Central (F2.f).
Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa estão presos (F1.g; F2.d). A defesa de Costa informou ao jornal Estadão que não se manifestaria sobre o assunto; em outra apuração, o mesmo veículo relatou que ainda buscava contato com os advogados do ex-presidente do BRB, sem sucesso até a publicação (F1.h).
Não há, até o momento, informações que associem o caso a Paulo Afonso ou a outros municípios da região, como Glória, Rodelas, Chorrochó, Delmiro Gouveia e Petrolândia. A investigação segue concentrada em fatos ocorridos no Distrito Federal e em São Paulo, além das operações entre o BRB e o Banco Master.







