Dois homens acusados de integrar uma organização criminosa especializada em estelionatos virtuais contra vítimas baianas foram presos na manhã desta quarta-feira (29), durante a "Operação Falso PIX". A ação foi coordenada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) em parceria com o Ministério Público do Mato Grosso (MPMT).
O objetivo da operação era desarticular o grupo criminoso, especializado em estelionatos virtuais e lavagem de capitais. As ações foram conduzidas pelos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) dos dois estados.
Os dois suspeitos foram detidos em municípios diferentes: um em Cuiabá e o outro em Várzea Grande, no Mato Grosso. Segundo as investigações, um dos detidos atuava como liderança operacional do grupo criminoso.
Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos dois municípios mato-grossenses. As medidas foram autorizadas pela 1ª Vara das Garantias de Salvador e incluem o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados em valor total superior a R$ 10,8 milhões.
A apuração teve origem na identificação de um golpe aplicado contra uma vítima residente na Bahia, que realizou transferências após acreditar estar se comunicando com um familiar por aplicativo de mensagens. A partir desse caso, as investigações avançaram e permitiram identificar outros fatos com características semelhantes, apontando para a atuação estruturada e coordenada do grupo.
O caso não é isolado. A Bahia tem sido palco de uma série de operações contra quadrilhas de fraudes digitais em 2026. Em maio deste ano, a Polícia Civil baiana deflagrou a Operação Pix Seguro contra uma organização que enviava mensagens falsas sobre suposto bloqueio de contas bancárias para direcionar usuários a páginas fraudulentas. A partir desse mecanismo, os criminosos obtinham dados sigilosos, invadiam contas e realizavam transferências por PIX.
Naquela ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 103 milhões em contas vinculadas aos investigados, como forma de interromper a movimentação financeira do esquema e preservar recursos para eventual ressarcimento das vítimas.
O padrão dos golpes segue uma lógica semelhante: criminosos se passam por familiares ou por representantes de instituições financeiras para convencer a vítima a transferir dinheiro ou entregar dados bancários. O dinheiro é rapidamente movimentado entre contas para dificultar o rastreamento e a recuperação dos valores.
As autoridades orientam que, ao receber qualquer mensagem pedindo transferência via PIX — seja de um "familiar" ou de uma suposta instituição bancária —, a pessoa confirme a identidade do remetente por outro canal antes de realizar qualquer transação.







