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Ministro da Fazenda alerta: decisão dos EUA sobre PCC e CV coloca o Pix em risco

Dario Durigan chamou a medida americana de "ataque eleitoral" e prometeu que o governo vai agir para proteger o sistema de pagamentos instantâneos e as instituições financeiras brasileiras.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
30 de maio, 2026 · 18:04 3 min de leitura
Smartphone exibindo tela do Pix com bandeiras do Brasil e dos EUA ao fundo
Smartphone exibindo tela do Pix com bandeiras do Brasil e dos EUA ao fundo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acendeu o sinal de alerta nesta sexta-feira (29): a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode colocar em risco o Pix e o sistema financeiro brasileiro. Em entrevista à GloboNews, ele qualificou a medida de "ataque eleitoral" e prometeu reação do governo.

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"O que pode acontecer de maneira muito despropositada é que se considere, a partir de uma informação que chega às autoridades norte-americanas, que facções estão usando o Pix e, portanto, haja um ataque ao Pix, uma suspensão, uma medida que venha de uma corte norte-americana e constranja bancos", alertou o ministro.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que pretende designar PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A medida entra em vigor no dia 5 de junho. Com isso, as facções passam a integrar a chamada Lista SDN, cadastro que reúne pessoas, empresas e organizações alvo de sanções econômicas norte-americanas.

O receio do governo Lula é que autoridades americanas aleguem que o Pix facilita a circulação de dinheiro do crime organizado, o que poderia servir de argumento para eventuais sanções a bancos e demais instituições financeiras por onde transitam recursos com a ferramenta.

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Durigan afirmou ter conversado com os principais executivos do setor bancário após o anúncio. Segundo ele, as instituições já estão reforçando procedimentos internos. "Falei com todos os CEOs de grandes bancos entre ontem e hoje. Eles já estão preocupados de serem alvos de eventuais ações."

A medida impõe um aumento nas exigências de controle e monitoramento para bancos, cooperativas de crédito e fintechs, especialmente aquelas que operam com o dólar ou têm relações com o sistema financeiro americano. Instituições financeiras que processem transações vinculadas a esquemas de lavagem de dinheiro das quadrilhas também podem ser proibidas de manter contas correspondentes nos EUA, o que equivale ao banimento do sistema financeiro global em dólar.

Outro ponto de tensão é a diferença legislativa entre os dois países. Enquanto os EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas, a legislação brasileira ainda os considera facções criminosas. Essa discrepância pode gerar um ambiente de tensão nas relações bilaterais, especialmente no que tange a operações financeiras e comerciais.

Não há, entretanto, nada no comunicado dos EUA que faça menção a uma iminente investida contra o Pix ou o sistema financeiro brasileiro. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que um efeito direto sobre o Pix só ocorreria em um cenário extremo. O ministro também defendeu maior cooperação entre as autoridades brasileiras e americanas, citando a operação Carbono Oculto — que investiga a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro — como exemplo do combate já em curso no país.

Durigan prometeu agir da mesma forma como o governo reagiu ao "tarifaço" do ano passado. "Cabe ao governo brasileiro, mais uma vez, dar um passo à frente e proteger o nosso sistema financeiro, que pode ser o primeiro afetado, mas também os nossos empresários e as famílias brasileiras", declarou.

"O que eu garanto ao público que nos assiste é que faremos todo o esforço e não haverá prejuízo ao uso do Pix pela população brasileira", garantiu o ministro.

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