Você recebe uma mensagem urgente do seu banco pedindo que atualize seus dados. O texto está perfeito, o logotipo parece verdadeiro e o link aparenta ser confiável. Mas pode ser um golpe. Os ataques de phishing ficaram muito mais sofisticados com o avanço da inteligência artificial — e os brasileiros estão na mira.
O Brasil registrou 553 milhões de tentativas de phishing em 2025, um crescimento de 617% em relação ao período anterior. O país concentra 84% de todas as investidas contra a América Latina. E a situação é ainda mais preocupante na Bahia: nos três primeiros meses de 2025, o estado acumulou 184.083 tentativas de fraude — o equivalente a 2.045 casos por dia, com crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Phishing é a fraude digital em que criminosos se passam por empresas, bancos ou pessoas conhecidas para enganar vítimas e obter dados sensíveis. Os golpistas utilizam links falsos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp e redes sociais para roubar dados pessoais e financeiros. O problema é que, agora, o avanço da inteligência artificial ampliou a sofisticação e o alcance dos ataques, com ferramentas de IA generativa já sendo usadas para criar mensagens fraudulentas mais convincentes, com linguagem natural e aparência profissional.
Durante anos, os treinamentos de segurança ensinaram a desconfiar de erros de português e remetentes estranhos. No entanto, esse modelo de ataque ficou para trás: o phishing com inteligência artificial atingiu um nível onde os sinais clássicos de fraude simplesmente não existem mais. Por isso, é preciso prestar atenção a outros alertas.
O primeiro sinal de perigo é o tom de urgência. Golpistas criam situações de pânico para pressionar a vítima a agir sem pensar — mensagens do tipo "sua conta será bloqueada em 24 horas" são armadilhas típicas. O segundo alerta é o pedido inesperado de dados pessoais: nenhum banco ou empresa séria solicita senha, código de verificação ou transferência por mensagem. Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários da Bahia, solicitações desse tipo são sinais comuns de golpe.
Há ainda uma técnica mais recente chamada ClickFix: mensagens ou avisos falsos simulam problemas no navegador ou no computador e orientam o usuário a seguir passos para "corrigir" a situação. Sem perceber, a própria vítima acaba executando comandos que instalam programas maliciosos ou dão acesso ao dispositivo aos criminosos. Os ataques com programas mal-intencionados ocultos em celulares e computadores cresceram 220% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro ponto de atenção são as ofertas atraentes demais. Anúncios em redes sociais oferecem produtos a preços muito baixos, mas levam a sites falsos onde a vítima nunca recebe o produto — e ainda tem seus dados roubados. Os golpes financeiros correspondem a 47% das fraudes digitais registradas no país, e a população acima de 50 anos concentra 53% das vítimas.
Para se proteger, especialistas recomendam desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro ou que exijam ação imediata, e utilizar ferramentas de segurança como filtros de spam e aplicativos antivírus. Também é recomendada a ativação da autenticação multifator nas contas, dificultando o acesso ilegal mesmo que a senha seja descoberta. E, em caso de dúvida, sempre acesse os serviços diretamente pelos canais oficiais — nunca por links recebidos em mensagens.
Especialistas apontam que dois fatores explicam o crescimento das fraudes: a ampliação do acesso digital por parte da população e a sofisticação das quadrilhas cibernéticas. Desconfiar antes de clicar continua sendo a defesa mais eficaz.







