Um estudo recente publicado no Jornal da USP explorou a história evolutiva dos peixes de recifes em ilhas do Atlântico tropical, especificamente nas ilhas de São Pedro e São Paulo, Ascensão e Santa Helena. Os pesquisadores, por meio da combinação de dados genéticos, biológicos e geográficos, desvendaram como essas espécies únicas se formaram e evoluíram ao longo do tempo.
As ilhas, distante uma da outra e cercadas por vastas áreas de água, atuaram como verdadeiros "laboratórios naturais". Conforme destacou a autora principal do estudo, Isadora Cord, o isolamento extremo e as pequenas populações dessas ilhas propiciam o surgimento de novas espécies, uma vez que barreiras naturais como correntes oceânicas influenciam a dispersão e o isolamento reprodutivo.
A pesquisa revelou que 46 espécies de peixes são endêmicas, isto é, encontradas exclusivamente nessas ilhas. As populações insulares mostraram maior afinidade com as comunidades do Atlântico Ocidental, incluindo aquelas do Brasil e do Caribe. Os cientistas mapearam rotas históricas que ligam o Atlântico Ocidental à África e ao Oceano Índico, com algumas linhagens tendo mais de 5 milhões de anos, anteriores à formação das ilhas.
Os resultados sugerem que as comunidades formam uma única unidade biogeográfica, com espécies compartilhando uma origem comum. A pesquisa identificou 11 espécies exclusivas das ilhas e do Atlântico Leste, 74 espécies distribuídas em ambos os lados do Atlântico, 44 endêmicas e 3 espécies presentes nas três ilhas analisadas.
Utilizando o método dos “relógios moleculares”, os pesquisadores foram capazes de revelar diferenças genéticas que não são aparentes a olho nu, identificando espécies "crípticas". O estudo também enfatizou a importância das ilhas como refúgios de linhagens vulneráveis, que podem enfrentar sérias ameaças de extinção devido ao seu isolamento e pequenas populações.







