A inteligência artificial já possibilita a simulação de conversas com pessoas falecidas, por meio de sistemas conhecidos como “deathbots”, que prometem recriar vozes e personalidades a partir de dados digitais. Esse fenômeno, que gera tanto fascínio quanto inquietação, foi investigado em um estudo publicado na revista Memory, Mind & Media.
Funcionamento dos ‘deathbots’
Os deathbots utilizam uma variedade de dados, incluindo gravações, e-mails e postagens, para construir avatares digitais que imitam o falecido. Esses sistemas operam com o objetivo de preservar memórias e facilitar interações contínuas. A pesquisa revelou que o funcionamento se dá em três etapas principais:
- Preservação de memória: organização de histórias pessoais por temas.
- Interação contínua: chatbots que oferecem respostas naturais com base nos dados coletados.
- Aprimoramento automático: sistemas que aprendem e se aprimoram à medida que interagem.
“Alguns sistemas ajudam os usuários a gravar e armazenar histórias pessoais, organizadas por tema”
Na experiência da pesquisa, as autoras desenvolveram versões digitais de si mesmas e relataram que, inicialmente, as conversas pareciam quase naturais, mas se tornaram mecânicas à medida que as personalizações foram acrescentadas. Frases otimistas e emoji inusitados surgiram mesmo em respostas relacionadas a temas de luto, evidenciando a dificuldade dos sistemas em captar sutilezas emocionais.
Quando a memória se torna um produto
A utilização dessas tecnologias é impulsionada por startups que monetizam as memórias, através de taxas de assinatura e outros modelos de negócio. Essa abordagem levantou questionamentos sobre a commodificação da memória e os limites éticos envolvidos. As plataformas oferecem a ilusão de reviver interações com entes queridos, no entanto, as impressões deixadas revelam que a experiência é mais artificial do que autenticamente reconfortante.
Em síntese, a inteligência artificial apresenta uma capacidade notável de preservar memórias, mas não logra reproduzir a complexidade das interações humanas reais. As experiências com os deathbots culminam em reflexões sobre a natureza humana, ao tentar, sem sucesso, conectar-se com o passado.







