Pesquisadores do International Journal of Modern Physics D revelaram, em um estudo recente, o que ocorreria se buracos negros primordiais, formados logo após o Big Bang, atravessassem o corpo humano. Esse trabalho, que aponta a gravidade da situação, tem como objetivo aprimorar a compreensão da matéria escura, que compõe cerca de 27% do Universo.
Os buracos negros primordiais diferem dos estelares, que se formam a partir do colapso de estrelas massivas e são letais a quem se aproxima. Os primordiais, que podem ter massas variando desde menos que um clipe de papel até várias vezes a do Sol, ainda poderiam existir nos dias atuais. O estudo se concentrou em buracos negros minúsculos e os estragos que poderiam causar à saúde humana.
Segundo o físico Robert J. Scherrer, da Universidade Vanderbilt, os efeitos a serem analisados incluem a geração de uma onda de choque supersônica que poderia danificar tecidos e as forças de maré, que são variações extremas de gravidade. Scherrer determinou que um buraco negro primordial precisaria ter uma massa mínima de aproximadamente 140 bilhões de toneladas para causar danos comparáveis ao impacto de uma bala.
Além disso, as pesquisas mostraram que, se a passagem do buraco negro gerasse forças de maré suficientemente intensas, haveria o risco de rompimento de células, especialmente as do cérebro. Contudo, para que isso ocorresse, o buraco negro precisaria ter uma massa entre 7 trilhões e 70 trilhões de toneladas.
Ainda que os resultados sejam alarmantes, a probabilidade de um humano ser afetado por um buraco negro primordial é estimada como 10⁻¹⁸ por ano. Portanto, mesmo sendo uma possibilidade teórica, a ocorrência de tal evento é considerada praticamente impossível. Essa pesquisa, além de refinar a busca pela matéria escura, oferece uma visão mais clara sobre a natureza dos buracos negros primordiais e suas limitações.







