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Bolsa despenca com temor de bolha na inteligência artificial

Após semanas de valorização, o mercado se preocupa com a possibilidade de uma bolha na inteligência artificial, afetando grandes empresas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
07 de novembro, 2025 · 12:57 2 min de leitura
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

A recente euforia em relação à inteligência artificial (IA) começa a provocar reações adversas nos mercados globais. Ações de grandes empresas de tecnologia, após semanas de valorização, despencaram, reacendendo preocupações sobre uma possível bolha financeira no setor. O movimento impactou bolsas de valores dos Estados Unidos até a Ásia, chamando a atenção de entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco da Inglaterra.

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David Solomon, presidente do Goldman Sachs, previu uma correção de 10% a 20% nas bolsas nos próximos dois anos. Por sua vez, o Banco da Inglaterra expressou preocupação sobre o “risco real de bolha” caso os lucros das empresas não acompanhem a alta das ações. Apesar da tempestade, alguns investidores veem a atual turbulência como uma oportunidade para diversificar suas carteiras, com as big techs em baixa.

A queda das ações de tecnologia refletiu um desvio da euforia inicial em torno da IA. Cotações de empresas como Nvidia, Amazon, Apple e Meta sofreram quedas significativas, afetando índices como o Nasdaq e o S&P 500. O Banco da Inglaterra destacou o risco de um “efeito bolha”, enquanto o FMI alertou para o impacto das avaliações excessivas no equilíbrio financeiro mundial. O receio é que uma correção severa na IA possa desencadear um efeito dominó em outros segmentos do mercado.

Na Ásia, a cautela se faz presente. O SoftBank Group, um dos maiores investidores em empresas de IA, perdeu quase US$ 50 bilhões em valor de mercado em uma semana. A volatilidade levou investidores, incluindo Michael Burry, conhecido por prever a crise de 2008, a apostar contra as ações da Nvidia e Palantir. Analistas se dividem sobre as implicações dessa correção; enquanto alguns consideram um ajuste saudável após um longo período de valorização, outros veem a formação de uma bolha semelhante à bolha das pontocom nos anos 2000.

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Entre os analistas, há pessimismo e otimismo misturados. Kiran Ganesh, do UBS, acredita que, apesar da volatilidade atual, os balanços financeiros das empresas continuam sólidos, com potencial de crescimento no longo prazo. Já Glen Smith, da GDS Wealth Management, enxerga as quedas como “oportunidades de compra”. Luca Paolini, da Pictet Asset Management, recomenda cautela, alegando que as avaliações estão muito elevadas e sugere a diversificação geográfica, advertindo sobre os riscos de concentração no setor.

Por outro lado, o presidente do Fórum Econômico Mundial, Børge Brende, ressaltou que os governos enfrentam altos níveis de endividamento e que a empolgação em torno da IA ignora realidade macroeconômica, como alta inflação e juros elevados. Brende enfatizou a necessidade de uma transição equilibrada para que os avanços tecnológicos não amplifiquem desigualdades sociais e impactem negativamente o mercado de trabalho. A tensão entre otimismo e temor em relação à IA se reflete no panorama financeiro atual, com pressões crescentes para monitorar fatores que podem desencadear uma nova crise global.

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