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Bahia registra alta nos atrasos de pagamento de aluguel em julho

Índice chegou a 4,83% em julho no estado; especialistas apontam pressão do orçamento das famílias como causa

Redação ChicoSabeTudo
27 de agosto, 2026 · 14:01 2 min de leitura

A inadimplência de aluguel na Bahia subiu para 4,83% em julho, segundo dados apresentados no evento Superlógica Next 2026, realizado em São Paulo e acompanhado pelo portal A TARDE.

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O número representa alta em relação a junho, quando o índice estava em 4,62%. Na comparação com julho do ano passado, quando a taxa era de 3,93%, o aumento foi ainda maior.

O índice baiano ficou acima da média nacional, que fechou julho em 3,05%. Já em relação à média do Nordeste, de 4,88%, a Bahia ficou ligeiramente abaixo. A alta no estado veio depois de dois meses seguidos de queda no indicador.

João Baroni, diretor de Produtos da Superlógica, apontou o aumento de custos básicos como um dos fatores que pesam no bolso das famílias. "A inflação é: todo mês você tem que pagar contas de água, de luz, de telefone, quem tem filho tem que pagar escola, paga transporte, paga comida", disse. Segundo ele, quando essas despesas sobem, sobra menos dinheiro para outros gastos.

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Baroni também citou a taxa de juros como outro fator de pressão sobre o orçamento das famílias, já que financiamentos de carros e imóveis ficam mais caros nesse cenário.

Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, afirmou que o aluguel é um dos maiores gastos das famílias brasileiras, ficando atrás apenas da alimentação. Segundo ele, o valor pago com aluguel representa em média 33% da renda de quem mora de aluguel.

Gonçalves explicou que o mercado costuma considerar uma renda familiar de três vezes o valor do aluguel como parâmetro mínimo de segurança. Segundo o diretor, imóveis residenciais de até R$ 1 mil tiveram a maior taxa de inadimplência entre as faixas analisadas, chegando a 5,99% em julho.

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Ele destacou ainda que fatores econômicos afetam de forma mais intensa famílias do Norte e do Nordeste, regiões com menor PIB per capita e maior concentração de aluguéis nas faixas de valor mais baixas. "Essas famílias aqui são menos estruturadas financeiramente e qualquer desvio que ele tem nos custos mensais me faz gerar inadimplência", afirmou.

Gonçalves ponderou que ainda é cedo para falar em tendência de piora, mas defendeu atenção às projeções de inflação e juros, que podem afetar a capacidade das famílias de pagar o aluguel.

Baroni alertou que muitas pessoas não sabem que o não pagamento de despesas como condomínio também pode levar à perda do imóvel. Segundo ele, a Superlógica costuma buscar negociação amigável por cerca de seis meses antes de recorrer à via judicial. "Até que chegar no ponto de perder o imóvel, a pessoa vai ter muita oportunidade de renegociar", disse.

Ele recomendou que quem está com dívidas em aberto procure a empresa ou o condomínio para tentar um acordo antes que a situação se agrave.

Em nível nacional, o Brasil registrou 83,9 milhões de pessoas negativadas no Serasa, recorde histórico, além de 6,3 mil pedidos de recuperação judicial, também um número recorde. Segundo o Banco Central, a inadimplência dos produtos financeiros para pessoas físicas chegou a 7,6%.

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