O desembargador Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), publicou nas redes sociais nesta quinta-feira (19) um print do extrato da própria conta bancária, mostrando um saldo positivo de R$ 96,10 ao final do mês. Na publicação, ele afirmou nunca ter recebido os chamados "penduricalhos", benefícios extras pagos a integrantes do Judiciário que vêm sendo alvo de críticas em todo o país.
O texto, batizado por ele de "O custo da coragem e o saldo do fim do mês", foi divulgado um dia antes do pagamento do salário do mês. Segundo o magistrado, o valor a receber é fruto de "muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra". Ele também criticou a cobertura da imprensa sobre a remuneração de magistrados, classificando-a como de "tom crítico, malicioso e inconsistente".
Márcio Roberto ocupa a vaga destinada ao Ministério Público no TJAL pelo critério do quinto constitucional, cargo que assumiu há cerca de dois anos, após deixar a função de procurador-geral de Justiça de Alagoas.
Não é a primeira vez que o desembargador usa as redes sociais para comentar sua remuneração. No início deste ano, ele já havia repercutido ao anunciar que avaliava se aposentar da cúpula do Judiciário alagoano, chegando a classificar parte dos colegas de "pobres semideuses". Dias depois, recuou da decisão e permaneceu no cargo.
O debate sobre os "penduricalhos" no Judiciário é nacional. Um levantamento do Jornal Extra de Alagoas apontou que o rendimento líquido de um desembargador do TJAL, somando esse tipo de benefício, chegou a R$ 61,7 mil em um único mês, enquanto o subsídio bruto do cargo no estado é de R$ 41,8 mil.







