Estudantes do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara, na Bahia, desenvolveram um projeto que transforma o óleo da amêndoa do licuri em biodiesel. A pesquisa, chamada de EcoLicuri, já foi apresentada em eventos científicos no Brasil e em outros países.
Os responsáveis pelo trabalho são os alunos Adrian Mota, Andrei Ribeiro Maia, João Henrique Gomes de Lima e Kauan Mascarenhas, com orientação dos professores Hevelynn Martins e Lamon Oliveira.
A ideia surgiu depois que os jovens perceberam o desperdício do fruto licuri nas comunidades onde moram. A partir dessa observação, começaram a investigar se o óleo extraído da amêndoa poderia servir como alternativa aos combustíveis derivados de petróleo.
Para chegar ao biodiesel, o grupo extraiu o óleo e fez diversos testes até realizar a transesterificação, processo químico que converte óleo vegetal em biocombustível. As primeiras tentativas aconteceram sem estrutura de laboratório, usando materiais simples, como garrafas PET. Depois, com acesso a equipamentos, os procedimentos foram aprimorados.
Durante os experimentos, os estudantes também aproveitaram resíduos do processo para outras finalidades. Em um dos testes, o material serviu para produzir uma espécie de sabonete de licuri. O grupo ainda desenvolveu farinha e vasos a partir de sobras do fruto.
O biodiesel obtido passou por análises de densidade, viscosidade, acidez e inflamabilidade. Segundo estimativa da equipe, 50 litros de óleo de licuri poderiam render cerca de 40 litros de biocombustível, a um custo aproximado de R$ 1,80 por litro nos testes feitos manualmente.
Apesar dos resultados, os próprios estudantes fazem questão de destacar que o produto ainda está em fase experimental e não pode ser comercializado. Segundo eles, seriam necessários novos testes de estabilidade, desempenho em motores, emissões, qualidade e impactos ambientais e econômicos antes de qualquer aplicação em maior escala.
A pesquisa já circulou por eventos em Juazeiro do Norte, no Ceará, e em Vitória da Conquista, na Bahia. O grupo também participou de uma mostra online no Peru e, em junho deste ano, viajou até a Espanha para apresentar o trabalho. Uma premiação recebida pelo projeto garantiu ainda uma nova apresentação internacional, marcada para 2027, em Londres.
A professora orientadora Hevelynn Martins avalia que uma eventual produção em maior escala dependeria de investimentos, estrutura adequada e manejo sustentável do licuri. Segundo ela, seria preciso preservar parte dos frutos para garantir a regeneração da palmeira e a alimentação da fauna local, como a arara-azul-de-lear.






