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Associações da Bahia são alvo de apuração no caso Banco Master

Asteba e Asseba reuniam 103.287 autorizações de desconto em folha de servidores baianos, segundo dados de 2025

Redação ChicoSabeTudo
18 de setembro, 2026 · 18:21 3 min de leitura

Duas associações de servidores públicos da Bahia, a Asteba e a Asseba, entraram no centro da investigação sobre suspeita de fraude envolvendo o Banco Master. Juntas, as entidades reuniam 103.287 autorizações de desconto em folha de servidores baianos, segundo dados relacionados ao Ofício SEAB/GAB nº 6091/2025, de 31 de julho daquele ano.

A Asteba concentrava 52.176 autorizações. A Asseba tinha 51.111. A carteira associada a esses descontos foi estimada em cerca de R$ 1 bilhão. O valor é uma estimativa da carteira ligada às autorizações existentes e não representa, necessariamente, o total descontado ou movimentado em um único momento.

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Segundo apuração baseada em inquérito da Polícia Federal, o Master informou ao Banco Central que as duas associações estavam na origem de créditos consignados de uma carteira de R$ 6,7 bilhões, depois negociada com o Banco Regional de Brasília (BRB). Ao comparar essa informação com os registros do governo baiano, o BC constatou que os descontos eram mensalidades e serviços associativos, e não parcelas de empréstimos consignados.

O Banco Central também identificou CPFs de pessoas de diferentes Estados nas operações atribuídas às entidades. A movimentação financeira delas não correspondia ao tamanho das cessões informadas. Após os questionamentos, o Master passou a indicar a Tirreno como origem dos créditos. O BC, porém, não encontrou na empresa movimentação compatível com operações daquela dimensão. A Tirreno mantinha relacionamento, no sistema financeiro, apenas com o próprio Master.

As carteiras foram revendidas ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões. Desse valor, R$ 5,5 bilhões corresponderiam a um prêmio pago nas operações. Uma auditoria citada na investigação estimou em pelo menos R$ 5 bilhões as perdas do banco público com a compra dos ativos.

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O sigilo dos documentos foi retirado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Em 19 de fevereiro de 2026, o STF autorizou a Polícia Federal a seguir o fluxo ordinário de perícia em cerca de 100 dispositivos apreendidos na Operação Compliance Zero. A operação foi deflagrada em 18 de novembro de 2025, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal, que também registrou suspeitas de fabricação de carteiras de crédito insubsistentes negociadas com o BRB.

A Polícia Federal atribui a Augusto Lima participação na elaboração das carteiras consideradas fraudulentas. Relatório do Ministério Público Federal afirma que Asteba e Asseba foram criadas e controladas por ele. Lima presidiu a Asteba até deixar formalmente o cargo em 2008 e é apontado como procurador da Asseba, com poderes para movimentar recursos. As entidades usavam o mesmo endereço de e-mail de contato da Terra Firme da Bahia.

Lima chegou a ser preso e depois foi colocado em liberdade, passando a usar tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa, ele deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024. A defesa reafirmou que não há fundamento para atribuir a ele os ilícitos mencionados e que sua inocência será comprovada no devido processo legal.

Asteba e Asseba não responderam à reportagem. A Secretaria da Administração da Bahia informou que não comentaria os contratos de cooperação mantidos com as associações. Esses contratos abrangem serviços como planos odontológicos, aquisição de celulares e assistência jurídica.

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