Um órgão europeu de direitos humanos determinou que o algoritmo de anúncios do Facebook discrimina com base no gênero, conforme relato da CNN. A decisão, que marca um importante passo na responsabilização das empresas de tecnologia, foi emitida pelo Instituto Holandês para os Direitos Humanos.
A investigação identificou que o algoritmo direcionava anúncios de profissões tradicionalmente femininas a mulheres e, por outro lado, promovia empregos considerados masculinos, como mecânico, principalmente para homens. Esses achados foram corroborados por um estudo da Global Witness, que analisou anúncios em seis países — Holanda, França, Índia, Irlanda, Reino Unido e África do Sul — e constatou padrões de viés semelhantes.
A partir de queixas feitas pelo Bureau Clara Wichmann, na Holanda, e pela Fondation des Femmes, na França, a pesquisa levou a uma conclusão que, embora não seja juridicamente vinculativa, poderá influenciar decisões judiciais futuras. O advogado Anton Ekker, especialista em inteligência artificial e direitos digitais, indicou que essa ação poderia resultar em sanções ou exigências para mudança nos algoritmos que perpetuam desigualdades.
A Meta, empresa controladora do Facebook, afirmou que já aplica algumas restrições à segmentação em anúncios, especialmente em categorias como emprego, imóveis e crédito, em mais de 40 países. “Não permitimos que os anunciantes segmentem esses anúncios com base no gênero”, afirmou Ashley Settle, porta-voz da Meta. Entretanto, a Meta não forneceu detalhes sobre como seu algoritmo de anúncios é treinado.
Além disso, a prova de que a plataforma está sob o escrutínio não se limita a esse caso. A Meta anunciou alterações polêmicas em suas políticas, incluindo a descontinuação de programas de diversidade e a remoção de restrições contra comentários depreciativos sobre mulheres e pessoas trans. Especialistas vêem essas mudanças como preocupantes, especialmente em um contexto onde a responsabilidade social das plataformas de tecnologia é cada vez mais cobrada.







