O Ministério da Saúde está trocando gradualmente a insulina NPH pela insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança atinge grupos considerados de maior vulnerabilidade clínica: pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2.
Até a terça-feira (21 de julho), o Ministério já havia encaminhado cerca de 383 mil tubetes de insulina glargina para todo o Brasil, junto com canetas reutilizáveis para aplicação. A previsão é que todos os estados recebam os insumos até o fim de julho.
No Nordeste, os números chamam atenção. Pernambuco receberá 20.563 tubetes do medicamento e 5.618 canetas reutilizáveis, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde. Já a Bahia recebeu um total de 30.854 tubetes do medicamento, além de 8.126 canetas reutilizáveis para aplicação.
A insulina glargina é considerada uma opção terapêutica de ação prolongada, permitindo, na maior parte dos casos, apenas uma aplicação diária. Em determinados esquemas terapêuticos, outros tipos de insulina podem exigir até três aplicações no mesmo período. Entre os benefícios destacados está o maior tempo de ação, que garante cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes.
A mudança decorre, em parte, da redução na produção de insulina humana NPH no mundo. A NPH ainda responde por 90% da insulina distribuída pelo SUS, o que torna a transição urgente para garantir o abastecimento contínuo da rede pública.
O Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 169/2026, que atualiza as orientações para a transição da insulina NPH para a glargina no âmbito da Atenção Primária à Saúde. O acompanhamento do processo ocorrerá mensalmente durante todo o ano de 2026, garantindo a avaliação contínua da transição e o redimensionamento dos estoques conforme a demanda observada.
O acesso será feito após avaliação clínica e prescrição médica, sendo o medicamento ofertado nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país. O tratamento contribui para um controle mais estável da glicemia, reduz o risco de episódios de hipoglicemia e favorece a adesão e a continuidade do tratamento.
Para ter acesso ao medicamento, o cidadão deve procurar a UBS mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada. Pais, responsáveis ou cuidadores do público elegível também podem solicitar a substituição da insulina NPH pela glargina na unidade de saúde. O paciente e sua família serão acolhidos por uma equipe multiprofissional, que avaliará o quadro clínico e a possibilidade de transição do tratamento.
Junto ao medicamento, será entregue uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração correta. Pacientes que já recebem a medicação por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica devem permanecer, neste momento, seguindo as regras vigentes para evitar fornecimento duplicado.







