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Saúde

BR-116 vira rota de contrabando: PRF intercepta mais de mil produtos emagrecedores irregulares na Bahia em 2026

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam 11 apreensões no estado, com Vitória da Conquista e Feira de Santana como os principais pontos da rota identificada pela Polícia Rodoviária Federal.

Redação ChicoSabeTudo
22 de julho, 2026 · 00:07 3 min de leitura
Ampolas e canetas emagrecedoras apreendidas pela PRF na Bahia em 2026
Ampolas e canetas emagrecedoras apreendidas pela PRF na Bahia em 2026

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais de mil produtos irregulares para emagrecimento nas estradas baianas entre janeiro e maio de 2026. Os dados foram obtidos pela agência Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgados na terça-feira (21). No total, o estado acumulou 11 apreensões, com um volume de 1.046 unidades de produtos confiscados.

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Os itens interceptados incluem dois tipos de produto: 557 ampolas emagrecedoras e 489 canetas emagrecedoras, conforme os registros da PRF. As canetas contêm substâncias como tirzepatida e semaglutida — princípios ativos dos medicamentos Mounjaro e Ozempic —, usadas para fins de emagrecimento. Segundo as informações divulgadas pela Fiquem Sabendo, as apreensões das ampolas se concentraram em abril (527 unidades) e maio (30 unidades). Já as canetas tiveram um pico em março, com 365 unidades apreendidas no estado, além de 72 em fevereiro e 52 em abril.

Todas as ocorrências registradas em solo baiano aconteceram na BR-116, a maior rodovia pavimentada do Brasil, com 4.660 km de extensão e passagem por cerca de 280 cidades em dez estados — do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, até o Ceará. O relatório da PRF identificou o que chamou de "rota do emagrecimento" ao longo dessa via, também registrada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Santa Catarina e Minas Gerais, somando 48 apreensões pela BR-116 no país em 2026.

Na Bahia, Vitória da Conquista se destaca como o principal ponto de fiscalização. Segundo os dados divulgados, a cidade registrou quatro apreensões e um total de 505 unidades de produtos confiscados ao longo dos meses de fevereiro a maio. Uma das ações recentes ocorreu em um trecho da BR-116 no município, durante abordagem a um ônibus interestadual. Feira de Santana aparece em segundo lugar, com três apreensões e 462 unidades recolhidas. A cidade é um dos maiores entroncamentos rodoviários do país, o que favorece o fluxo de mercadorias ilegais. As demais cidades baianas listadas no relatório são Poções, com duas apreensões e 64 unidades, e Jequié, com um registro e 15 unidades.

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No ranking nacional de apreensões por estado, a Bahia ocupa a 10ª posição, empatada com o Mato Grosso, segundo as informações da PRF. A liderança fica com Paraná e Mato Grosso do Sul, que juntos somam mais de 130 registros. No país, foram contabilizadas 310 apreensões individuais entre janeiro e maio, totalizando 45.436 unidades e outros 740 pacotes de produtos para emagrecimento.

O cenário baiano reflete um problema nacional que vem crescendo em ritmo acelerado. O contrabando de canetas emagrecedoras avançou de forma expressiva no Brasil em 2026, impulsionado principalmente pela entrada irregular de medicamentos pela fronteira com o Paraguai, e dados da Polícia Federal mostram que o número de apreensões nos cinco primeiros meses do ano já supera em mais de duas vezes o total de todo o ano de 2025. Segundo a Receita Federal, as apreensões de medicamentos para emagrecimento já somam 115.647 canetas e ampolas em 2026, frente às 7.479 unidades registradas durante todo o ano de 2025.

Um fator que alimenta o mercado ilegal é a diferença de preços. A Receita Federal aponta que o mercado irregular é impulsionado pela grande diferença de preços entre Brasil e Paraguai: enquanto o tratamento mensal com Mounjaro 15 mg custa a partir de R$ 3.499 nas farmácias brasileiras, versões comercializadas em Ciudad del Este podem ser encontradas por cerca de R$ 430. No Brasil, a importação de apresentações de tirzepatida provenientes do Paraguai é proibida pela Anvisa, e entidades médicas alertam para os riscos associados ao uso de medicamentos sem registro sanitário ou transportados fora das condições recomendadas.

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