Um levantamento do Vigitel, pesquisa do Ministério da Saúde, mostrou que 24,4% dos adultos de Salvador dormem menos de seis horas por noite. O percentual está acima do registrado no conjunto das capitais brasileiras e do Distrito Federal, que somam 20,2%.
Os dados fazem parte do Vigitel Brasil 2006-2024, publicado pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2025 com informações coletadas em 2024.
Segundo o Vigitel, dormir pouco de forma constante pode trazer riscos à saúde. O levantamento cita hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes tipo 2 como possíveis consequências. O sono insuficiente também é apontado como fator que pode interferir na ansiedade, na regulação emocional e em sintomas depressivos, além de dificultar a forma como a pessoa reage a situações de muito estresse.
A quantidade de horas de sono recomendada varia conforme a idade. De acordo com uma tabela elaborada pela National Sleep Foundation, recém-nascidos de até 3 meses precisam dormir entre 14 e 17 horas por dia, enquanto bebês de 4 a 11 meses devem descansar de 12 a 15 horas. Para crianças de 1 a 2 anos, a recomendação é de 11 a 14 horas, e para as de 3 a 5 anos, de 10 a 13 horas.
Já crianças em idade escolar, de 6 a 13 anos, devem dormir entre 9 e 11 horas por dia. Adolescentes de 14 a 17 anos precisam de 8 a 10 horas de sono. Jovens de 18 a 25 anos e adultos de 26 a 64 anos têm a mesma recomendação, de 7 a 9 horas por noite. Para idosos a partir de 65 anos, o indicado é dormir de 7 a 8 horas.
A falta de sono adequado tem efeitos diferentes conforme a fase da vida. Em bebês e crianças pequenas, pode causar irritabilidade, exaustão e agitação excessiva no curto prazo, além de comprometer o desenvolvimento físico e intelectual quando o problema se repete ao longo do tempo. Em crianças na fase escolar, o descanso insuficiente está relacionado a queda no rendimento, dificuldade de concentração para tomar decisões e maior chance de comportamentos de risco, além de piorar o desempenho físico e aumentar o risco de lesões.
Entre adolescentes, o cansaço e a queda de atenção causados pela privação de sono aumentam o risco de acidentes de trânsito. Já em adultos, a falta de descanso adequado pode gerar irritação, menos atenção e menor disposição no dia a dia. Quando o problema se acumula, o organismo também fica mais vulnerável: as defesas do sistema imunológico caem, aumentam as chances de depressão e surgem dificuldades de memória, atenção e aprendizado. O quadro ainda favorece o aparecimento de doenças cardiovasculares, eleva a predisposição ao diabetes, pode provocar alterações intestinais e dificultar a manutenção de uma alimentação equilibrada, favorecendo o ganho de peso.
Não foram localizados, até o momento, dados oficiais específicos sobre a duração do sono da população em outros municípios da Bahia.







