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Saúde

Quatro meses depois, prefeitura de Salvador informa que 26 vítimas da Clínica Clivan ainda estão em acompanhamento

Pacientes e familiares voltaram às ruas nesta segunda-feira (7) exigindo resposta dos órgãos públicos; centro cirúrgico da clínica segue interditado e três médicos afastados pela Justiça.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 08:28 3 min de leitura
Fachada da Clínica Clivan na Avenida Garibaldi, em Salvador, interditada após mutirão oftalmológico que causou perda de visão em pacientes
Fachada da Clínica Clivan na Avenida Garibaldi, em Salvador, interditada após mutirão oftalmológico que causou perda de visão em pacientes

Familiares e pacientes afetados pelo mutirão da Clínica Clivan voltaram a protestar nesta segunda-feira (7) em frente à unidade, localizada na Avenida Garibaldi, em Salvador. Quatro meses após o caso virar escândalo sanitário, eles cobram assistência dos órgãos competentes e respostas sobre o que causou a tragédia.

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Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS), 26 pacientes que apresentaram complicações após os procedimentos seguem em acompanhamento especializado. A assistência é prestada de acordo com a necessidade clínica de cada caso. Pacientes com perda visual parcial ou total estão em processo de reabilitação, com planos terapêuticos individualizados. A pasta informou ainda que não divulga detalhes sobre a evolução clínica de cada um por força da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O mutirão ocorreu em 26 de fevereiro deste ano. As investigações se concentram naquela data específica: 26 pessoas foram operadas na mesma sala cirúrgica e todas apresentaram complicações. A principal hipótese é de que tenha ocorrido uma contaminação bacteriana em massa durante o procedimento. Segundo informações da Polícia Civil, responsável pela investigação, 138 pacientes foram atendidos ao todo na ação, de acordo com o BNews.

A situação de parte das vítimas é grave. Ao todo, 11 pessoas perderam a visão após complicações graves nas cirurgias e tiveram de passar por evisceração ocular, procedimento extremo que remove o conteúdo interno do olho. Segundo informações divulgadas pelo BNews, ao menos 33 pacientes tiveram perda parcial e irreversível da visão, além de outros problemas de saúde.

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No campo sanitário, a SMS informou que o centro cirúrgico da Clínica Clivan permanece interditado, sem autorização para realização de procedimentos oftalmológicos. Um dos pontos mais graves apurados é que o mutirão não tinha autorização do município para acontecer. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) decidiu abrir um inquérito civil para apurar o que levou pacientes a sofrerem complicações graves após as cirurgias de catarata. Com prazo para conclusão até abril de 2027, o foco das investigações está em falhas e possível infecção após as cirurgias.

Três médicos investigados foram afastados por decisão da Justiça, segundo informações do BNews. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão no endereço da clínica. O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que tramitam no Tribunal de Ética Médica uma denúncia em análise de admissibilidade, seis sindicâncias instauradas e dois processos — todos sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por sua vez, informou, segundo o BNews, que a clínica não disponibiliza vagas para a rede estadual desde dezembro de 2025 e que nenhum dos pacientes envolvidos no caso foi encaminhado pela regulação estadual.

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Para especialistas da área, a reabilitação visual é um processo que exige tempo, acompanhamento constante e apoio familiar. Em muitos casos, os pacientes precisam reaprender atividades básicas, desenvolver novas formas de orientação espacial e utilizar tecnologias assistivas para manter a independência. O acompanhamento é feito por equipe multiprofissional, incluindo médicos, terapeutas e psicólogos, com o objetivo de oferecer suporte físico e emocional. A etapa de reabilitação está prevista para acontecer no Instituto dos Cegos da Bahia.

Enquanto as famílias aguardam respostas, o caso continua sob apuração do MPBA e com acompanhamento da Defensoria Pública. As responsabilidades pelos danos, segundo informações divulgadas pelo BNews, ainda seguem sob investigação das autoridades competentes.

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