Familiares e pacientes afetados pelo mutirão da Clínica Clivan voltaram a protestar nesta segunda-feira (7) em frente à unidade, localizada na Avenida Garibaldi, em Salvador. Quatro meses após o caso virar escândalo sanitário, eles cobram assistência dos órgãos competentes e respostas sobre o que causou a tragédia.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS), 26 pacientes que apresentaram complicações após os procedimentos seguem em acompanhamento especializado. A assistência é prestada de acordo com a necessidade clínica de cada caso. Pacientes com perda visual parcial ou total estão em processo de reabilitação, com planos terapêuticos individualizados. A pasta informou ainda que não divulga detalhes sobre a evolução clínica de cada um por força da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O mutirão ocorreu em 26 de fevereiro deste ano. As investigações se concentram naquela data específica: 26 pessoas foram operadas na mesma sala cirúrgica e todas apresentaram complicações. A principal hipótese é de que tenha ocorrido uma contaminação bacteriana em massa durante o procedimento. Segundo informações da Polícia Civil, responsável pela investigação, 138 pacientes foram atendidos ao todo na ação, de acordo com o BNews.
A situação de parte das vítimas é grave. Ao todo, 11 pessoas perderam a visão após complicações graves nas cirurgias e tiveram de passar por evisceração ocular, procedimento extremo que remove o conteúdo interno do olho. Segundo informações divulgadas pelo BNews, ao menos 33 pacientes tiveram perda parcial e irreversível da visão, além de outros problemas de saúde.
No campo sanitário, a SMS informou que o centro cirúrgico da Clínica Clivan permanece interditado, sem autorização para realização de procedimentos oftalmológicos. Um dos pontos mais graves apurados é que o mutirão não tinha autorização do município para acontecer. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) decidiu abrir um inquérito civil para apurar o que levou pacientes a sofrerem complicações graves após as cirurgias de catarata. Com prazo para conclusão até abril de 2027, o foco das investigações está em falhas e possível infecção após as cirurgias.
Três médicos investigados foram afastados por decisão da Justiça, segundo informações do BNews. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão no endereço da clínica. O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que tramitam no Tribunal de Ética Médica uma denúncia em análise de admissibilidade, seis sindicâncias instauradas e dois processos — todos sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por sua vez, informou, segundo o BNews, que a clínica não disponibiliza vagas para a rede estadual desde dezembro de 2025 e que nenhum dos pacientes envolvidos no caso foi encaminhado pela regulação estadual.
Para especialistas da área, a reabilitação visual é um processo que exige tempo, acompanhamento constante e apoio familiar. Em muitos casos, os pacientes precisam reaprender atividades básicas, desenvolver novas formas de orientação espacial e utilizar tecnologias assistivas para manter a independência. O acompanhamento é feito por equipe multiprofissional, incluindo médicos, terapeutas e psicólogos, com o objetivo de oferecer suporte físico e emocional. A etapa de reabilitação está prevista para acontecer no Instituto dos Cegos da Bahia.
Enquanto as famílias aguardam respostas, o caso continua sob apuração do MPBA e com acompanhamento da Defensoria Pública. As responsabilidades pelos danos, segundo informações divulgadas pelo BNews, ainda seguem sob investigação das autoridades competentes.







