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Saúde

Cemitério de Salvador acumula caixões usados a céu aberto e revolta moradores do Subúrbio

No Cemitério Municipal de Plataforma, dezenas de caixões provenientes de exumações ficam expostos ou cobertos por lonas improvisadas, provocando mau cheiro e infestação de mosquitos na vizinhança.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 09:36 3 min de leitura
Caixões usados acumulados a céu aberto no Cemitério Municipal de Plataforma, em Salvador
Caixões usados acumulados a céu aberto no Cemitério Municipal de Plataforma, em Salvador

Moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador convivem com um problema que mistura descaso sanitário e falta de manutenção básica: familiares de pessoas sepultadas nos cemitérios municipais de Plataforma e Periperi vêm denunciando o estado de abandono e a falta de infraestrutura nas unidades, com queixas que incluem o descarte inadequado de caixões a céu aberto, proliferação de mato alto, mau cheiro constante e dificuldade de acesso para sepultamentos.

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No Cemitério Municipal de Plataforma, imagens mostram dezenas de caixões já utilizados acumulados em uma área aberta, próximos ao muro que separa o espaço da Rua David Ferreira. Enquanto uma parcela dos resíduos está coberta de forma improvisada por lonas plásticas, outros caixões permanecem totalmente expostos às intempéries.

Quem mora nas redondezas não esconde a indignação. Quem mora no entorno afirma conviver diariamente com a situação e reclama de mau cheiro e da presença de insetos. "Ficam aqueles mosquitos pretos e, se deixar as janelas abertas, eles entram. Eu não sei como o pessoal aguenta esse mau cheiro. Eles tiram os caixões e abandonam. Tem que ficar denunciando para tirarem", disse o frentista Cosme dos Santos.

O impacto não é só físico. O professor de educação física Rilson Daltro relata o peso emocional de se deparar com o abandono no momento do luto. "Imagine que, no momento de dor, você vem sepultar um familiar e se depara com um cemitério com mato alto e túmulos quebrados. Também aparecem seres indesejados, como ratos e outros animais", afirma.

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Do ponto de vista técnico, a situação é grave. A engenheira sanitarista e ambiental Gabriela de Toledo afirma que o armazenamento observado não segue o procedimento adequado para esse tipo de resíduo. "O que a gente está testemunhando aqui é o manejo inadequado de resíduos cemiteriais, lançados inadequadamente sobre o solo, ainda com cobertura de lonas, criando acúmulo de água para proliferação de vetores, como mosquitos." A especialista ainda alertou: "Há problemas relatados por moradores, como geração de moscas, mau odor e líquidos que saem escorrendo. E se houver crianças que entram em contato com esse material contaminado por vírus e bactérias das pessoas que foram enterradas nesses caixões descartados? É um cenário muito triste de negligência de gestão ambiental."

Vale lembrar que cada exumação gera aproximadamente 35 kg de resíduos, entre eles caixões de madeira, podas e galhos, resíduos de construção civil como lápides e tampões de concreto, entre outros. A destinação dada a esses resíduos, em sua grande maioria, é inadequada e realizada em terrenos do próprio cemitério ou enviados para aterros sanitários.

A prefeitura respondeu por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop). O órgão declarou, em nota, que está ciente das reivindicações e demandas das comunidades dos cemitérios do Subúrbio e que tem implementado medidas operacionais e administrativas para solucionar as inconformidades. De acordo com o órgão, o serviço de capinação e limpeza é realizado de forma integrada pela Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), com um cronograma periódico que prevê ciclos médios de varredura e corte de vegetação a cada 30 dias.

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A Semop esclareceu que os caixões expostos são resíduos provenientes do processo legal de exumação e que esse material fica armazenado temporariamente nas dependências das unidades cemiteriais, conforme os protocolos operacionais internos, até que seja recolhido por caçambas da prefeitura e encaminhado para o descarte definitivo em aterros sanitários. A secretaria alegou ainda que a proliferação de mosquitos costuma se acentuar devido aos ciclos de chuva comuns neste período do ano e apontou o descarte irregular de lixo por parte da própria população dentro das dependências do cemitério como um agravante para a situação sanitária.

Por fim, a Semop informou que mantém articulação com o Centro de Controle de Zoonoses para a aplicação de produtos de combate aos mosquitos transmissores de arboviroses e disse que segue buscando, em conjunto com outros órgãos, soluções para garantir a manutenção, a salubridade e o funcionamento adequado dos cemitérios municipais. Segundo informações divulgadas pelo BNews, Salvador conta atualmente com 21 cemitérios — dez administrados pelo município, dez pela iniciativa privada e um sob responsabilidade do Governo do Estado.

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