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Saúde

Ordem judicial ignorada: paciente com aneurisma gigante espera cirurgia de R$ 500 mil em Arapiraca

Dona de casa de 52 anos vive sob risco de morte enquanto a Sesau de Alagoas descumpre prazos determinados pela Justiça para agendar o procedimento.

Redação ChicoSabeTudo
07 de julho, 2026 · 00:43 2 min de leitura
Mulher aguarda cirurgia de aneurisma cerebral com decisão judicial descumprida em Alagoas
Mulher aguarda cirurgia de aneurisma cerebral com decisão judicial descumprida em Alagoas

Uma dona de casa de 52 anos, moradora da zona rural de Arapiraca, em Alagoas, vive há mais de um ano em estado de alerta constante. Maria Rosineide dos Santos foi diagnosticada com um aneurisma cerebral gigante, uma condição grave que a impede de fazer qualquer esforço — e que pode ser fatal se não tratada. O problema é que a cirurgia necessária custa mais de R$ 500 mil e o SUS não cobre o procedimento.

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O problema começou em fevereiro de 2025, quando ela buscou atendimento no Hospital Regional de Arapiraca durante uma crise de forte dor de cabeça. Após internação e tomografia, recebeu alta com encaminhamento para ressonância magnética e neurologista, com suspeita inicial de tumor.

O diagnóstico correto só veio meses depois, após outros especialistas e uma angiografia cerebral feita pelo SUS. O laudo definitivo saiu do setor de neurologia do Hospital Metropolitano de Maceió: lesão aneurismática gigante, com comprometimento óptico e motor.

No cotidiano, a condição se traduz em fortes dores de cabeça, tonturas e episódios de visão turva. A sobrinha Daniele Santos Barbosa descreve como a tia vive: "Ela não pode fazer nenhum tipo de esforço, porque pode ser fatal. E a única forma de ela voltar a ter uma vida normal é passar por essa cirurgia."

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O procedimento é de alta complexidade e alto custo: apenas em materiais, o orçamento chega a R$ 350 mil, e o valor total ultrapassa meio milhão de reais. Sem recursos próprios e vivendo do Bolsa Família, a família trava uma batalha contra o tempo e contra a burocracia para garantir o cumprimento de decisões judiciais que determinam o agendamento urgente do procedimento.

Sem cobertura do SUS e sem condições de arcar com os custos, a família ingressou com ação na Justiça em julho de 2025 para obter o custeio pelo Estado. Já no mês seguinte, veio a primeira decisão favorável — mas os prazos foram sucessivamente descumpridos.

Em fevereiro deste ano, a Justiça novamente ordenou o agendamento da cirurgia. Maria Rosineide precisou repetir exames e, em maio, o Judiciário estipulou um prazo final para que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) marcasse o procedimento, sob pena de bloqueio judicial.

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A situação de Maria Rosineide reflete um problema recorrente no Brasil. Segundo médicos especialistas, o aneurisma cerebral é uma das patologias intracranianas mais complicadas, com alto índice de mortalidade. Uma vez que o aneurisma cresce, especialmente em pacientes hipertensos, pode levar à ruptura — chamada hemorragia subaracnóidea —, com mortalidade de aproximadamente 50%.

Casos como o de Arapiraca mostram que conquistar uma decisão judicial favorável não é garantia de acesso ao tratamento. A demora no cumprimento das ordens judiciais transforma o que deveria ser uma solução em mais um obstáculo para quem mais precisa do sistema de saúde.

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