A campanha de vacinação contra a influenza em Sergipe está patinando. Dados divulgados pelo Governo do Estado nesta segunda-feira (6) revelam que, desde o início da estratégia, no fim de março, foram aplicadas 218.975 doses do imunizante — o que representa cobertura de apenas 42,81% entre o público-alvo. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é imunizar ao menos 90% dos grupos prioritários.
O cenário preocupa, especialmente num contexto em que a influenza avança pelo país. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) registrou, em boletim de março de 2026, aumento de 42% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à Influenza A (H3N2) nas últimas quatro semanas em comparação ao mesmo período de 2025.
Segundo informações divulgadas pelo Governo de Sergipe, a vacina continua disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todos os municípios do estado. Crianças de seis meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos que ainda não se imunizaram podem procurar a unidade de saúde mais próxima.
Entre os grupos prioritários, as gestantes lideram a cobertura vacinal, com 66,14%. Já entre as crianças, o índice é de 43,57%, enquanto entre os idosos chega a apenas 40,98% — todos abaixo da meta federal. A vacinação reduz o risco de formas graves da doença, internações e óbitos, e oferece proteção à mãe e ao bebê durante a gestação.
Nenhum dos cinco municípios mais populosos de Sergipe alcançou sequer 50% de cobertura: Aracaju registra 42%, Itabaiana 40%, Lagarto 39%, São Cristóvão 37% e Nossa Senhora do Socorro 35%, de acordo com os dados do estado. Na lanterna, estão Santo Amaro das Brotas (26%), Riachuelo (29%) e Cristinápolis (32%).
A situação em Sergipe não é isolada. Na Bahia, estado vizinho, dados do painel de vacinação do Ministério da Saúde apontam que apenas 35% do público prioritário recebeu a dose em 2026. A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) chegou a ampliar a vacinação para toda a população acima de seis meses, buscando elevar os índices após o encerramento da fase voltada aos grupos prioritários.
A campanha nacional teve início em 28 de março, com o "Dia D" de imunização, e foi programada para as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O imunizante trivalente, produzido pelo Instituto Butantan, protege contra três cepas do vírus: Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B. A vacinação é gratuita pelo SUS e não exige agendamento — basta levar documento de identificação a uma UBS.
Para quem ainda não se vacinou e faz parte do público elegível, o recado é direto: a dose está disponível e o risco de complicações graves é real. Em Sergipe, os postos de vacinação aguardam.







