O Ministério da Saúde assinou um convênio de R$ 11,46 milhões com a Bahiafarma para financiar a compra de equipamentos e o desenvolvimento de uma versão líquida oral da hidroxiureia — medicamento usado no tratamento da doença falciforme. O acordo foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 8 de julho, e prevê recursos integralmente repassados pelo governo federal, sem contrapartida financeira da fundação baiana.
A novidade central do projeto é a formulação em suspensão, pensada especificamente para uso pediátrico. Segundo informações divulgadas pela Bahiafarma ao jornal A Tarde, o medicamento será voltado a crianças a partir de 8 meses de idade, permitindo maior precisão na dosagem e facilitando a adesão ao tratamento desde os primeiros meses de vida.
A hidroxiureia já é o principal medicamento modificador da doença falciforme disponível no SUS. A versão líquida oral é considerada estratégica porque facilita a dosagem em crianças pequenas, que muitas vezes não conseguem ingerir cápsulas.
A pesquisa para desenvolver a nova formulação será conduzida pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a Bahiafarma. O objetivo declarado da iniciativa, segundo a fundação, é contribuir para a redução da mortalidade associada à falcemia — condição com alta incidência no estado.
Dados científicos recentes mostram que o Brasil registra média anual de 1.045 novos casos de doença falciforme, e a Bahia lidera com a maior taxa de incidência do país: 11,03 casos para cada 10.000 nascidos vivos. Segundo o Ministério da Saúde, o estado conta com cerca de 10 mil pessoas diagnosticadas com a condição.
A Bahia é o estado brasileiro com a maior incidência da doença, que afeta majoritariamente a população negra. A mutação responsável pela hemoglobina S tem origem em regiões da África e foi trazida ao Brasil durante o período colonial. Como o estado possui uma das maiores populações afrodescendentes do país, a frequência do gene é mais elevada entre os baianos.
O convênio foi assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pela diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde. O montante total de R$ 11.461.251,00 está programado para o exercício de 2026, dividido em dois empenhos: um de R$ 27.895,00 e outro de R$ 11.433.356,00. A vigência do acordo vai até 2 de julho de 2029.
A Bahiafarma já vinha trabalhando nesse projeto. Em outubro de 2025, a fundação anunciou a aprovação de dois projetos no Programa para Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), incluindo a parceria com a UFBA para produção da versão pediátrica do medicamento, com investimento previsto de R$ 23 milhões no total.
O segundo projeto aprovado naquele programa envolve a Bahiafarma, a UFBA e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) no desenvolvimento de um probiótico oral para neuropatia diabética — uma das principais complicações crônicas do diabetes, conforme divulgado pela fundação.
A aposta da Bahia na produção local de medicamentos estratégicos para o SUS tem avançado em outras frentes. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, em fevereiro o governador Jerônimo Rodrigues viajou à Ásia na comitiva do presidente Lula em busca de parcerias para produzir quatro medicamentos oncológicos de alto custo — como o Pertuzumabe e o Nivolumabe — que hoje custam R$ 1,7 bilhão por ano ao poder público.







