Um curativo adesivo (band-aid) foi encontrado dentro de uma bandeja de refeição servida no Restaurante Universitário (RU) do campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na última terça-feira (7). O episódio gerou forte reação entre estudantes, repercutiu nas redes sociais e levou o Diretório Central dos Estudantes a acionar formalmente a universidade.
O objeto foi localizado pelo estudante de Estatística Edezio Vitor Barros durante o almoço, enquanto estava acompanhado de amigos. Segundo ele, relatado à imprensa, a namorada "quase vomitou ao ver a situação". O registro foi compartilhado nas redes sociais e se espalhou rapidamente pela comunidade acadêmica.
O timing do ocorrido aumentou o constrangimento: a UFBA realiza nesta semana o congresso comemorativo de seus 80 anos, recebendo visitantes de diversas partes do país. O RU de Ondina é operado por empresa terceirizada e atende centenas de estudantes diariamente, incluindo bolsistas da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE) que dependem do espaço para se alimentar.
Em nota pública, o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFBA) informou que solicitou reunião de urgência com a PROAE, com a empresa responsável pelo restaurante, com o estudante Edezio e com testemunhas do caso. A entidade também formalizou uma notificação à PROAE pedindo providências administrativas, incluindo apuração dos fatos e reforço da fiscalização sobre o serviço prestado.
Para esta quarta-feira (8), às 19h, o DCE convocou uma plenária estudantil virtual para discutir as condições do restaurante e definir os próximos passos do movimento estudantil. Entre as possibilidades está a organização de um ato público em defesa da melhoria da alimentação e do fortalecimento da fiscalização sanitária.
O caso do band-aid não é um episódio isolado, segundo estudantes ouvidos pela imprensa. Há relatos anteriores de objetos encontrados nas refeições, como uma moeda de R$ 1, larvas e até a queda de um morcego em uma bandeja. A estudante de Letras Yasmaim Rufino afirma que já havia acionado o DCE e a PROAE em outras oportunidades para denunciar problemas no espaço — entre eles, calor excessivo, estado de conservação precário e presença frequente de pombos na área aberta do refeitório.
Yasmaim ainda relata que, ao questionar a redução das porções de proteína e do volume de suco servidos desde 2025, recebeu uma resposta da PROAE e do Núcleo de Restaurante Universitário (NRU) contestando sua denúncia. Segundo ela, "basicamente me chamaram de mentirosa, alegando que a foto enviada na queixa havia sido adulterada".
A estudante também aponta falha de comunicação como o principal problema estrutural. "Há muitos conflitos, pouca transparência e pouca comunicação com os estudantes", afirma. Ela reconhece que a universidade enfrenta cortes de verbas e atrasos em reformas, mas considera que isso não justifica a falta de diálogo com o corpo discente.
O histórico do RU de Ondina inclui ao menos uma suspensão por suspeita de intoxicação alimentar, em setembro de 2022, quando a Vigilância Sanitária foi acionada e identificou a presença de microrganismos patogênicos em amostras das refeições. À época, a PROAE reconheceu que a operação terceirizada do restaurante impõe limitações aos prazos de ação da universidade. O ChicoSabeTudo aguarda posicionamento da UFBA e da empresa responsável pelo RU sobre o episódio desta semana.







