Exames médicos que não precisam ser realizados anualmente ainda geram incertezas entre os pacientes. A crença de que repetir todos os testes semestralmente é sinônimo de prevenção não é respaldada por evidências científicas, que indicam que a frequência dos exames deve ser ajustada de acordo com a idade, o histórico de saúde e o estilo de vida do paciente.
De acordo com o Dr. Drauzio Varella, é recomendável realizar certos exames anualmente a partir dos 25 anos, especialmente para aqueles com fatores de risco familiares. Para a maioria, esses exames são necessários a partir dos 35 anos. A individualização é a chave: cabe ao médico responsável definir a periodicidade, considerando as particularidades de cada paciente.
Exames que não exigem periodicidade anual
Entre os exames que não precisam ser realizados todos os anos estão os cardíacos, como o holter e o teste ergométrico. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) não recomenda esses exames de forma rotineira para adultos jovens assintomáticos. Quando necessário, a realização pode ocorrer em intervalos mais longos, principalmente se os exames anteriores foram normais.
O exame de Papanicolau, indicado para mulheres que iniciam a vida sexual, não deve ser feito todos os anos. Com resultados normais em dois exames consecutivos, a frequência pode ser estendida para três anos, embora essa periodicidade possa variar conforme idade e histórico de saúde. Além disso, o Dr. João Alho esclarece que a ultrassonografia transvaginal não está indicada como rotina para pacientes assintomáticas.
Outro exame que não é recomendado anualmente é o ultrassom de tireoide. O Dr. João Alho ressalta que sua realização excessiva pode acarretar em superdiagnósticos e procedimentos desnecessários. A decisão de solicitar este exame deve ser pautada por critérios clínicos e análise do paciente.
Os testes de intolerância alimentar, importantes para pacientes com sintomas específicos, também não precisam ser parte de um check-up anual, devendo ser solicitados em situações que justifiquem sua realização. A avaliação médica continua a ser fundamental para determinar quais exames são realmente necessários em cada caso.







