Estudos recentes demonstraram que aprender uma nova língua pode trazer benefícios inesperados para a saúde cognitiva, especialmente no que diz respeito ao envelhecimento do cérebro. Pesquisadores de universidades da Argentina, Chile, Colômbia e Estados Unidos analisaram os dados de 86.149 pessoas, com idades entre 51 e 90 anos, e publicaram os resultados na revista Nature Aging.
Os resultados indicaram que aqueles que falam mais de um idioma têm 50% menos chances de apresentarem sinais de envelhecimento biológico em comparação com os falantes de apenas uma língua. Esta pesquisa se destaca por sua amostra ampla, permitindo uma análise mais robusta dos efeitos positivos do multilinguismo no envelhecimento cognitivo.
O estudo utilizou um indicador chamado “lacuna de idade biocomportamental”, que avalia a diferença entre a idade cronológica e a idade biológica do cérebro. Quanto menor essa lacuna, mais saudável é o processo de envelhecimento. O neurocientista Agustín Ibañez, coautor da pesquisa, explicou que mesmo a aprendizagem de um único idioma adicional já traz benefícios significativos.
Além de fatores como estado de saúde e estilo de vida, o estudo considerou aspectos educacionais e socioeconômicos. A análise revelou que o bilinguismo e o poliglotismo não apenas mitigam o envelhecimento acelerado, mas também proporcionam uma proteção contra doenças neurológicas.
“O multilinguismo parece atuar como uma forma natural de ginástica cerebral”, alertou Ibañez, enfatizando a importância de usar e aprender novos idiomas ao longo da vida como um investimento na saúde cognitiva.







