A crescente presença de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera está deixando sua marca não apenas no clima do planeta, mas também, ao que tudo indica, na composição do nosso próprio corpo. Uma pesquisa recente, feita por cientistas na Austrália, revela que o CO₂ pode estar alterando a química do sangue humano, um achado que acende um alerta sobre os impactos diretos das mudanças climáticas na saúde.
Pesquisa Alerta para Impacto no Sangue
Os pesquisadores Alexander N. Larcombe e Phil N. Bierwirth, em colaboração com o renomado The Kids Research Institute Australia e outras instituições, chegaram a essa conclusão após um estudo minucioso. Eles notaram que um aumento de cerca de 7% no bicarbonato presente no corpo humano acompanhou a elevação dos índices de CO₂ na atmosfera.
Para chegar a esses resultados, os cientistas analisaram amostras sanguíneas de aproximadamente 7 mil cidadãos americanos, coletadas entre 1999 e 2020. Os dados foram cedidos pela Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES), uma fonte robusta de informações sobre a saúde da população.
Além do aumento do bicarbonato, a pesquisa identificou outras mudanças preocupantes na química sanguínea, como uma queda na presença de cálcio e fósforo no corpo humano.
O Que Acontece no Nosso Corpo?
No corpo, o bicarbonato tem um papel fundamental: ele ajuda a manter o equilíbrio entre ácidos e bases. Quando o nível de CO₂ aumenta, o sangue tende a ficar mais ácido. Para compensar essa mudança, os rins trabalham mais e retêm mais bicarbonato, tentando assim regular o pH e manter o corpo funcionando bem. É por isso que os níveis de bicarbonato podem servir como um indicador indireto da exposição excessiva ao CO₂ no organismo.
“A faixa normal mantém um equilíbrio delicado entre a quantidade de CO₂ no ar, o pH do nosso sangue, a nossa frequência respiratória e os níveis de bicarbonato no sangue”, explicou o cientista Phil N. Bierwirth.
Alerta Global sobre CO₂
Não é de hoje que se fala sobre o aumento do CO₂ na atmosfera. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia divulgado em 2024 um estudo apontando que a concentração de CO₂ atingiu seu nível mais crítico desde que as medições começaram em 1957. Este contexto global reforça a urgência dos achados da pesquisa australiana.
“O que estamos observando é uma mudança gradual na composição química do sangue que reflete o aumento do dióxido de carbono na atmosfera, o qual está impulsionando as mudanças climáticas”, afirmou Alexander Larcombe, um dos cientistas do estudo.
Phil N. Bierwirth, coautor da pesquisa, enfatiza a gravidade da situação:
“Como a concentração de CO₂ no ar está agora mais alta do que a humanidade jamais experimentou, parece estar se acumulando em nossos corpos. Talvez nunca consigamos nos adaptar, sendo vital limitar os níveis atmosféricos de CO₂.”
Futuro Incerto: Nossos Corpos Podem Não se Adaptar
Embora os níveis atuais de CO₂ e, consequentemente, de bicarbonato no corpo ainda não sejam considerados prejudiciais, a projeção dos pesquisadores é preocupante: em aproximadamente 50 anos, esses números podem ultrapassar o limite seguro para o corpo humano. O estudo também levanta a hipótese de que nossos corpos simplesmente não conseguirão se adaptar a esse rápido aumento dos níveis de CO₂ no ar.
“Na verdade, acho que o que estamos vendo é porque nossos corpos não estão se adaptando. Parece que estamos adaptados a uma faixa de CO₂ no ar que pode já ter sido ultrapassada”, finalizou Bierwirth.
Essa pesquisa ressalta a importância de ações urgentes para controlar as emissões de dióxido de carbono e proteger não só o planeta, mas também a nossa própria saúde.







