Prepare o bolso para uma boa notícia! Um estudo fresquinho trouxe a esperança de que medicamentos como Ozempic e Wegovy, famosos por ajudarem no controle do diabetes tipo 2 e na perda de peso, poderão custar bem menos. Segundo a pesquisa, versões genéricas desses remédios — cujo princípio ativo é a semaglutida — poderiam chegar ao mercado custando uma verdadeira pechincha: menos de R$ 16 por mês. Isso mesmo, cerca de US$ 3!
A ideia é que, com preços tão mais acessíveis, muitas mais pessoas consigam ter acesso a tratamentos importantes para a saúde. Hoje, a realidade é bem diferente e pesa no bolso dos pacientes.
Ozempic e Wegovy: O Salto dos Preços Atuais para um Futuro Mais Barato
Atualmente, os valores praticados são bem salgados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Ozempic pode passar dos R$ 5 mil por ano (cerca de US$ 1.027), e o Wegovy chega a mais de R$ 7 mil (US$ 1.349) anualmente. No Brasil, o tratamento mensal com Ozempic fica perto de R$ 1.300, e com Wegovy, pode ultrapassar os R$ 2.500.
A própria Novo Nordisk, farmacêutica que fabrica os originais, já anunciou que vai baixar os preços nos EUA para US$ 675 (cerca de R$ 3.540) por ano a partir de janeiro. Mas mesmo com essas reduções, os valores continuam altos, o que inviabiliza o tratamento para muita gente.
É nesse cenário que entra a pesquisa da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. Os cientistas analisaram dados de remessas de ingredientes usados para fabricar a semaglutida e calcularam o custo real de produção. A conclusão é surpreendente: a semaglutida injetável poderia custar entre US$ 28 e US$ 140 por ano para ser produzida, o que daria menos de R$ 740 anuais para as versões genéricas, ou seja, menos de R$ 16 por mês.
Patentes Expirando: A Porta Aberta para os Genéricos
Essa mudança de cenário não está longe. A patente da semaglutida, o coração do Ozempic e do Wegovy, está perto de expirar em vários países importantes, incluindo o Brasil. Por aqui, a exclusividade da Novo Nordisk termina no dia 20 de março deste ano. Com o fim da patente, outras empresas farmacêuticas poderão produzir e vender suas próprias versões genéricas do medicamento.
Analistas do mercado preveem que a chegada desses genéricos deve gerar uma verdadeira "guerra de preços", que pode derrubar o custo mensal para cerca de US$ 15 (algo em torno de R$ 80) em algumas regiões. No entanto, o estudo da Universidade de Liverpool sugere que o preço poderia cair ainda mais, chegando aos R$ 16 mensais ou até menos, dependendo da escala de produção.
"Isso permite uma escala muito maior de tratamento. O preço baixo dá aos países a perspectiva de tratar toda a sua população", disse Andrew Hill, pesquisador visitante sênior da Universidade de Liverpool, que participou do estudo.
A equipe de Hill decidiu divulgar os resultados rapidamente em formato de pré-publicação – o que significa que ainda não passou por revisão formal – justamente para ajudar as autoridades de saúde nas negociações de preços dos genéricos.
Da Fábrica ao Paciente: Como o Preço Pode Cair Tanto?
Os pesquisadores descobriram que o ingrediente ativo em si, a semaglutida, representa uma fração bem pequena do custo total de produção. Ele varia entre US$ 0,01 e US$ 0,12 (menos de R$ 0,70) por dose. O que encarece o medicamento são as canetas injetoras, que custam entre US$ 0,30 e US$ 2,50 (entre R$ 1,57 e R$ 13,11) por unidade. Versões orais, por outro lado, teriam um custo de produção mais elevado.
Para que os genéricos realmente se tornem acessíveis, será essencial que a indústria produza esses "dispositivos de baixo custo" em grande volume, como destacam os autores do artigo. Imagine um mundo onde o tratamento para diabetes e obesidade, doenças que afetam milhões, seja facilmente acessível?
O Caminho dos Genéricos no Brasil
Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é quem dará a palavra final. Antes de chegarem às farmácias, os medicamentos genéricos precisam passar por uma avaliação rigorosa que comprova sua qualidade, segurança e eficácia, garantindo que são tão bons quanto os originais.
O bom é que o Ministério da Saúde já pediu para a Anvisa dar prioridade à análise dessas novas formulações. Muitas farmacêuticas, inclusive, já enviaram seus pedidos de registro antes mesmo da patente expirar, mostrando que estão prontas para entrar no jogo assim que a luz verde for dada.
A possibilidade de ter semaglutida genérica por R$ 16 mensais é uma notícia que acende a esperança para milhões de brasileiros e pessoas ao redor do mundo, abrindo as portas para uma saúde mais justa e ao alcance de todos.







