Muita gente associa epilepsia apenas ao quadro clássico de convulsão, com a pessoa caindo no chão e o corpo se sacudindo sem controle. Mas essa é só uma das formas que a doença pode assumir. Existem crises que não têm convulsão nenhuma e por isso demoram anos para serem identificadas.
As chamadas crises de ausência são um exemplo disso. Nelas, a pessoa fica com o olhar parado por alguns segundos, pode piscar repetidamente ou estalar os lábios, e volta ao normal como se nada tivesse acontecido. Esse tipo de episódio é mais comum em crianças e costuma ser confundido com distração ou falta de atenção, o que atrasa a busca por avaliação médica.
Há ainda as crises focais, que atingem apenas uma parte do cérebro e podem se manifestar como formigamento, alteração de humor repentina ou movimentos automáticos, como mastigar sem alimento na boca ou mexer as mãos sem intenção. Dependendo da área cerebral afetada, a pessoa pode manter a consciência durante o episódio e se lembrar de tudo depois.
Antes de uma crise mais intensa, o cérebro também pode dar avisos. Especialistas chamam essa fase inicial de aura, que acontece segundos ou minutos antes e pode incluir sensações como déjà vu, cheiro ou gosto estranho na boca, formigamento ou distúrbios visuais. Já o pródromo é um alerta mais precoce, que pode surgir horas ou até dias antes da crise, na forma de mudanças sutis de humor e comportamento.
Nem toda pessoa que tem uma crise convulsiva recebe o diagnóstico de epilepsia. Isso porque a condição só é confirmada quando há pelo menos duas crises não provocadas por outro fator, como febre alta ou uso de substâncias. O eletroencefalograma é o principal exame usado pelos neurologistas para mapear a atividade elétrica do cérebro e fechar o diagnóstico.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia. Perceber indícios sutis — como episódios breves de desconexão, olhar fixo sem reação ou percepções incomuns que antecedem uma crise — é o primeiro passo para buscar ajuda de um neurologista e iniciar o tratamento mais cedo, o que aumenta as chances de controle da doença.







