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Saúde

Combinação de Remédios Elimina Câncer de Pâncreas em Testes Animais

Pesquisadores da Espanha anunciaram resultados promissores de uma combinação tripla de medicamentos que eliminou tumores de pâncreas em camundongos, sem resistência.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
29 de janeiro, 2026 · 21:26 3 min de leitura
(imagem: e-crow / Shutterstock.com)
(imagem: e-crow / Shutterstock.com)

Uma notícia que acende a esperança para quem luta contra o câncer de pâncreas chegou da Espanha. Pesquisadores de lá anunciaram que uma combinação de três medicamentos conseguiu eliminar completamente os tumores em testes feitos com animais, sem que a doença voltasse por um longo período.

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O trabalho, publicado na prestigiosa revista científica PNAS, mostra um caminho promissor para combater uma das formas mais agressivas de câncer. Ele detalha a regressão completa dos tumores em camundongos e, mais importante, a prevenção do surgimento de resistência ao tratamento, um grande desafio na oncologia.

Resultados Animadores em Testes Preclínicos

A equipe de pesquisa, liderada pelo doutor Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO), observou resultados impressionantes. Em diferentes modelos de camundongos, os tumores desapareceram em apenas três a quatro semanas após o início da terapia.

O mais animador é que os animais ficaram livres da doença por mais de 200 dias depois do tratamento, sem nenhum sinal de toxicidade grave associado aos medicamentos. Esses achados abrem portas para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.

A Estratégia de Três Frentes Contra o Câncer

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Mas como essa combinação de medicamentos age? A estratégia é inteligente porque ataca o câncer em três frentes diferentes, mirando em pontos específicos das vias de sinalização do tumor. Isso impede que as células cancerosas cresçam e se espalhem.

  • Um dos alvos é o oncogene KRAS, descrito como um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento do câncer de pâncreas.
  • Os outros dois focam nas proteínas EGFR e STAT3, que são importantes para a progressão e avanço tumoral.

Para ser mais específico, a terapia utiliza três compostos: o inibidor de KRAS daraxonrasib (RMC-6236), o bloqueador da família EGFR afatinib e o composto SD36, que age sobre a proteína STAT3. Essa união de forças levou à completa regressão dos tumores pancreáticos e evitou que eles reaparecessem.

Os testes não se limitaram a camundongos geneticamente modificados. A pesquisa também incluiu enxertos derivados de tumores de pacientes, e nesses casos, a terapia também se mostrou eficaz, sem registro de recaídas ao longo do período de observação. Tudo isso foi bem tolerado pelos animais testados.

Câncer de Pâncreas: Desafios e Próximos Passos

O câncer de pâncreas é uma doença que preocupa muito os médicos. No Brasil, por exemplo, ele representa cerca de 1% de todos os diagnósticos de câncer, mas infelizmente é responsável por aproximadamente 5% das mortes pela doença, estando entre os tipos mais letais, tanto para homens quanto para mulheres, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Um detalhe importante da pesquisa é que a regressão dos tumores aconteceu mesmo sem a ajuda do sistema imunológico dos animais. Isso é crucial, pois sugere que a terapia tem potencial para ser aplicada em pacientes que, por algum motivo, têm o sistema de defesa comprometido.

“Apesar de todos esses resultados promissores, os pesquisadores fazem questão de frisar: o estudo ainda está em fase experimental. O próximo passo envolve o refinamento das substâncias para que elas possam ser testadas com segurança em ensaios clínicos com humanos”, destacaram os cientistas.

A expectativa é que esses achados possam guiar o desenvolvimento de novos estudos clínicos e, quem sabe, trazer uma nova esperança real para quem enfrenta o câncer de pâncreas.

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