Pesquisadores da Unicamp deram um passo importante na luta contra o câncer de pele ao iniciarem os primeiros testes em humanos de um tratamento inovador. A nova técnica utiliza um adesivo especial, carregado com um composto de prata e anti-inflamatório, aplicado diretamente sobre a lesão do paciente.
O método funciona como um curativo biológico que libera a medicação de forma controlada. Nos testes realizados em laboratório e com animais, a substância conseguiu reduzir o tamanho dos tumores e, em alguns casos, eliminá-los completamente, sem atacar as células saudáveis do corpo.
A grande vantagem dessa tecnologia é evitar procedimentos invasivos. Atualmente, a remoção cirúrgica é o caminho mais comum, mas costuma deixar cicatrizes profundas ou causar a perda de partes do nariz e das orelhas, gerando um forte impacto na autoestima dos pacientes.
Batizado de AgNMS, o composto combina a prata com a nimesulida. Segundo os cientistas, o objetivo é oferecer uma alternativa muito mais barata e menos dolorosa do que as sessões de quimioterapia e imunoterapia disponíveis hoje no mercado.
Nesta primeira fase clínica, três pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp já estão sendo acompanhados para avaliar a segurança das doses. Se os resultados positivos continuarem, o estudo será ampliado para um grupo maior antes de buscar a liberação definitiva da Anvisa.
O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil, com mais de 260 mil novos casos estimados apenas para este ano. A doença atinge principalmente pessoas com mais de 40 anos que se expuseram excessivamente ao sol ao longo da vida.







