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Saúde

Brasil desenvolve terapia CAR-T mais barata para tratar câncer

Pesquisa do INCA, Fiocruz e UnB cria versões nacionais do tratamento com potencial de chegar ao SUS

Redação ChicoSabeTudo
28 de agosto, 2026 · 12:45 2 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Brasília (UnB), criaram duas novas versões da terapia CAR-T voltadas ao combate a tipos de câncer no sangue. O objetivo é reduzir o custo do tratamento e tornar possível sua oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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O trabalho foi publicado no periódico científico Frontiers in Immunology. O estudo mostra a validação em laboratório de versões modificadas da terapia, pensadas para tratar neoplasias como a leucemia linfoblástica aguda de células B.

A CAR-T é apontada como o quinto pilar do tratamento contra o câncer. A técnica usa células de defesa do próprio paciente, chamadas células T, que passam por modificação genética para reconhecer e atacar o tumor.

Antes da chegada dessa tecnologia, pacientes com linfoma difuso de grandes células B que não respondiam a outros tratamentos tinham taxa de resposta de apenas 26%, com 7% de remissão completa e sobrevida média de seis meses. Um estudo publicado na revista Blood Advances mostrou que, após o uso da CAR-T, a sobrevida em três anos saltou de 10% para 59%, na comparação com um grupo de pacientes que não recebeu o tratamento. A sobrevida sem progressão da doença também subiu, de 6% para 48%.

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Na versão original da terapia, usada internacionalmente, a proteína responsável por reconhecer o câncer vem de anticorpo de camundongo. Na versão desenvolvida no Brasil, essa proteína foi modificada para se parecer com uma proteína humana, o que reduz o risco de rejeição pelo organismo do paciente. O alvo da terapia é o CD19, uma proteína presente na superfície de células chamadas linfócitos B.

As duas versões criadas pelos pesquisadores brasileiros receberam os nomes de H1 e H2. Em testes de laboratório, ambas eliminaram células cancerosas com a mesma eficiência da terapia já usada no mercado, inclusive quando a proteína-alvo estava presente em quantidade menor no tumor. Também houve formação de células de memória, importantes para evitar o retorno da doença.

Em experimentos com camundongos, a versão H1 controlou o câncer de forma duradoura, mantendo a sobrevida dos animais por tempo semelhante ao da terapia padrão. Já a versão H2 apresentou ligação mais fraca à proteína-alvo e sinais de perda de força ao longo do tempo. Por isso, os pesquisadores escolheram a versão H1 para seguir para a próxima etapa: testes em seres humanos.

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Atualmente, no mercado particular brasileiro, o tratamento com CAR-T custa entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões por paciente. A proposta da pesquisa nacional é usar um sistema de produção sem vetor viral, o que, aliado à fabricação dentro do país, pode tornar o processo mais barato e possível de ser ampliado em escala.

O projeto recebeu apoio financeiro de instituições como Decit-CNPq, FAPDF, Capes, Faperj e do Programa Inova Fiocruz.

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