O Governo da Bahia autorizou a abertura temporária da vacinação contra a gripe para todos os moradores com mais de seis meses de idade. A medida vale de 8 a 17 de junho e foi aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) em resolução publicada nesta quinta-feira (4). A decisão ocorre diante de um cenário epidemiológico que tem pressionado os serviços de saúde, especialmente pelo aumento de internações entre crianças.
As crianças de até 9 anos são as mais contaminadas por vírus respiratórios na Bahia e concentram 69,7% — cerca de 2.995 — dos 4.247 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados no estado em 2026. Além disso, 31 crianças morreram em razão das SRAGs até o dia 25 de maio deste ano.
Durante o mesmo intervalo do ano passado, os diagnósticos de crianças representavam 65,1% dos casos, com 29 mortes. O avanço é significativo e coloca o grupo infantil no centro das preocupações das autoridades sanitárias estaduais.
Os idosos também figuram com números preocupantes. De acordo com levantamento obtido pelo portal A Tarde, 91 idosos a partir dos 60 anos morreram neste ano, o que representa 59,1% dos óbitos por SRAG no estado. Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) apontam que a letalidade cresce com a idade, chegando a 16,8% entre pessoas com 80 anos ou mais.
Dois vírus ligados a quadros graves de pneumonia infantil chamam atenção nos dados. Os casos provocados pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e pelo metapneumovírus cresceram quase 77% em relação ao mesmo período de 2025. O VSR saltou de 359 para 745 registros, enquanto o metapneumovírus passou de 62 para 421 casos. A Fiocruz confirma essa tendência: o boletim InfoGripe alertou para o aumento de casos de SRAG em crianças menores de 2 anos no Nordeste, com o crescimento das hospitalizações pelo VSR como principal fator.
A ampliação da vacinação tem também um componente preventivo ligado ao calendário cultural. A proximidade dos festejos juninos foi destacada como fator de atenção, período marcado pelo aumento da circulação de pessoas em viagens, encontros familiares e eventos coletivos. A resolução da CIB estabelece que os municípios reservem ao menos 20% do estoque disponível para os públicos considerados prioritários — crianças, gestantes e idosos —, com a distribuição condicionada à disponibilidade de doses.
A baixa cobertura vacinal é outro ponto que agrava a situação. Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, a vacinação de crianças de seis meses a menores de seis anos alcançou apenas 23,5% de cobertura no município, enquanto entre os idosos acima de 60 anos, o índice se aproxima de 36% — bem abaixo da meta nacional de 90% para grupos prioritários.
Para o Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), o problema não está apenas na oferta de vacinas, mas na capacidade do poder público de chegar até as pessoas mais vulneráveis. O conselho defende o fortalecimento das equipes de Saúde da Família, a ampliação da busca ativa em domicílios e o reforço das campanhas de conscientização — ações que vão além de simplesmente abrir mais postos de vacinação.
No mesmo conjunto de medidas, a CIB aprovou a implementação obrigatória do Microplanejamento para Atividades de Vacinação de Alta Qualidade (AVAQ) em todos os 417 municípios baianos. A estratégia, utilizada nacionalmente desde 2023, integra planejamento local, análise de dados, busca ativa de não vacinados e ação conjunta entre atenção primária e equipes de imunização. Os municípios têm até 31 de julho para encaminhar seus planos locais às regionais de saúde.







