O Ministério da Saúde atualizou o Calendário Nacional de Vacinação e reintroduz, a partir de 3 de agosto de 2026, uma segunda dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos de idade. A mudança vale em todo o país, inclusive na Bahia, e a vacina é aplicada gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS).
A medida foi oficializada por meio da Nota Técnica nº 64/2026 e faz parte das estratégias para fortalecer a proteção da população infantil e manter o Brasil livre da circulação do poliovírus.
Com a atualização, o esquema vacinal passa a ser composto por três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de dois reforços: um aos 15 meses e outro aos 4 anos. São cinco doses no total, todas por via injetável.
O segundo reforço havia sido retirado do calendário em 2024, quando o país adotou um esquema exclusivamente com a vacina injetável. A decisão de substituir as doses com a vacina oral poliomielite bivalente (VOPb), a famosa "gotinha", pela injetável levou em conta novas evidências científicas para proteção contra a doença.
Segundo o Ministério da Saúde, as doses de reforço são fundamentais para induzir e manter a resposta imunológica ao longo da infância, garantindo proteção por mais tempo e fortalecendo a imunidade coletiva contra o vírus.
O Brasil está há 37 anos sem registrar casos de poliomielite — o último ocorreu em 1989 — e, desde 1994, possui a certificação de área livre da circulação do poliovírus, conquistada juntamente com os demais países das Américas. Ainda assim, a doença segue como ameaça global.
O vírus continua circulando em diversos países do mundo e, com a facilidade dos deslocamentos internacionais e as fronteiras cada vez mais acessíveis, sempre existe o risco de reintrodução no país.
Entre 2016 e 2022, a cobertura vacinal contra poliomielite no Brasil mostrou queda acentuada, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, com coberturas médias de 60,19% e 66,77%, respectivamente — índices bem abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. O Nordeste, onde se localiza Paulo Afonso e toda a região do São Francisco, está entre as áreas que mais precisam recuperar o terreno perdido na vacinação infantil.
A introdução da segunda dose de reforço integra o conjunto de ações do Ministério da Saúde para preservar essa conquista histórica e evitar a reintrodução da doença no país.
A segunda dose de reforço é recomendada para crianças que já completaram o esquema primário e receberam o primeiro reforço. Crianças com esquema incompleto também devem ser vacinadas. Os serviços de saúde avaliarão a situação de cada uma e orientarão sobre as doses pendentes. A vacinação pode ser realizada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Pais e responsáveis devem verificar a caderneta de vacinação dos filhos e, em caso de doses atrasadas, procurar a unidade de saúde mais próxima para regularizar a situação. O atendimento é gratuito pelo SUS.







