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Bahia demite segunda gestora em menos de um ano do Hospital Regional de Porto Seguro

Sesab aciona processo de distrato com o Instituto Setes após acompanhamento técnico apontar falhas graves, incluindo tomógrafo parado por seis meses e água contaminada.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
04 de junho, 2026 · 08:03 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) notificou o Instituto Setes para dar início ao encerramento do contrato de gestão do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, no sul da Bahia. A decisão foi tomada após um acompanhamento técnico da unidade identificar inconformidades assistenciais, operacionais e administrativas no hospital.

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A medida se torna ainda mais emblemática pelo histórico recente da unidade. O próprio Instituto Setes havia sido convocado pela Sesab para assumir a gestão em novembro de 2025, após o encerramento do contrato com a gestora anterior, o Instituto de Gestão e Humanização (IGH), que ficou em segundo lugar no último processo seletivo. Menos de seis meses depois, a organização social enfrenta o mesmo destino.

O corpo clínico do hospital acusa o Instituto Setes de diversas irregularidades, entre elas a suposta falta de funcionamento do aparelho de tomografia, deficiência no abastecimento de materiais e medicamentos, problemas no enxoval hospitalar e atrasos no pagamento de honorários médicos.

Segundo os médicos, o local estaria há mais de seis meses sem tomógrafo em operação, sem alternativa externa para realização dos exames, apesar de atender pacientes de alta complexidade e contar com serviço de neurocirurgia. A Vigilância Sanitária teria identificado ainda a presença de microrganismos nocivos na água utilizada na unidade, ampliando a preocupação com as condições sanitárias e a segurança assistencial.

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Há também preocupações quanto à realização de cirurgias oncológicas vinculadas à Unacom (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia), com relatos de procedimentos feitos sem comunicação prévia adequada entre setores como UTI e enfermarias, além de ausência de definição antecipada de leitos e equipes responsáveis pelo pós-operatório.

Os médicos relatam ainda atrasos recorrentes no pagamento de honorários, com casos de repasses de até 60 dias, e mencionam uma proposta de ampliar o prazo contratual de pagamento para até 45 dias após a prestação de serviços. Em resposta, o hospital informou, em nota, que as informações são inexatas e que os serviços seguem funcionando regularmente, afirmando que o tomógrafo está em pleno funcionamento com manutenção contínua.

Para garantir que os pacientes não sejam prejudicados durante a transição, a Sesab instituiu uma comissão de monitoramento permanente e outra de transição para que o atendimento ao público não seja interrompido. Segundo informações divulgadas pela Sesab, a comissão será presidida pela administradora hospitalar Lívia Oliveira, com experiência em gestão pública e passagem pelas secretarias de saúde de Eunápolis, Porto Seguro, Ruy Barbosa e Andaraí.

Ainda de acordo com a Sesab, uma nova entidade deverá ser convocada para assumir a gestão do hospital, com previsão de início da operação ainda em junho de 2026. Com 152 leitos, o HRDLEM é uma das referências em média e alta complexidade para o Extremo-Sul, reunindo serviços de urgência e emergência clínica, cirúrgica, obstétrica, oncológica e ortopédica, além de internações e atendimentos ambulatoriais.

Desde 2023, o governo estadual afirma ter investido cerca de R$ 42 milhões em obras, equipamentos e serviços no hospital, incluindo ampliações de emergências, implantação da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia e requalificação da área obstétrica. A crise de gestão, porém, segue sem resolução definitiva — e a população da Costa do Descobrimento aguarda estabilidade no principal hospital público da região.

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