Quem sente queimação no peito depois do jantar costuma culpar apenas a refeição farta ou muito temperada. Mas quando o incômodo se repete com frequência, o problema pode estar relacionado a duas condições mais sérias: a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e a hérnia de hiato.
A DRGE acontece quando o esfíncter que separa o esôfago do estômago relaxa de forma anormal ou perde força, permitindo que o conteúdo ácido do estômago volte para o esôfago. Esse retorno provoca a sensação de queimação atrás do esterno, conhecida como pirose, que costuma piorar justamente após as refeições e ao deitar.
Já a hérnia de hiato é o deslocamento de parte do estômago para dentro do tórax, através de uma abertura do diafragma chamada hiato esofágico. Quando esse hiato se alarga, o funcionamento da junção entre esôfago e estômago é comprometido, o que favorece episódios de refluxo. A hérnia de hiato ocorre quando o hiato se alarga, permitindo que parte do estômago "suba" para dentro da cavidade torácica, alterando o funcionamento normal da junção entre o esôfago e o estômago e favorecendo o refluxo ácido.
A condição está associada principalmente ao envelhecimento e ao enfraquecimento natural dos tecidos, mas fatores como excesso de peso também contribuem para o problema. Nem toda hérnia causa sintomas: muitas pessoas com hérnia pequena não apresentam sintomas. Segundo dados de uma organização internacional voltada a distúrbios gastrointestinais, 79% dos indivíduos com DRGE apresentam sintomas na hora de dormir, o que reforça por que a azia noturna costuma ser mais incômoda do que a diurna.
Além da queimação, outros sinais podem indicar que o caso vai além de uma refeição pesada. Entre eles estão a regurgitação de conteúdo ácido, tosse seca persistente, rouquidão, pigarro e, em casos mais avançados, dificuldade para engolir. A dor torácica também pode surgir e, por sua localização, às vezes é confundida com problemas cardíacos.
Especialistas recomendam procurar avaliação médica quando a azia se torna frequente, especialmente se vier acompanhada desses sintomas associados. O diagnóstico costuma envolver exames como endoscopia digestiva alta, e o tratamento pode incluir mudanças de hábitos alimentares, uso de medicamentos que reduzem a acidez estomacal e, em casos mais graves, cirurgia.
Pequenas mudanças no dia a dia também ajudam a reduzir os episódios, como evitar deitar-se logo após as refeições, dar preferência a porções menores à noite e reduzir o consumo de alimentos gordurosos, café e bebidas alcoólicas antes de dormir.







