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Após amputações, jovem e menino deixam UTI com quadro estável após ataques de tubarão no Recife

João Lucas, de 11 anos, e Marcela Vitória, de 19, receberam alta da unidade intensiva do Hospital da Restauração cinco dias após os ataques em praias do Grande Recife.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
05 de junho, 2026 · 10:13 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e a jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19, receberam alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração, no Recife. As duas vítimas de ataques de tubarão no litoral pernambucano deixaram a UTI na quinta-feira (4), conforme boletim médico divulgado pela unidade hospitalar. Ambos passaram por amputações e seguem internados para tratamento em enfermaria.

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Desde a quarta-feira (3), os dois já estavam conscientes e respiravam sem auxílio de aparelhos, conforme informou o Hospital da Restauração. Os dois têm quadro de saúde estável e permanecem internados na unidade hospitalar, onde seguirão o tratamento sob acompanhamento da equipe multiprofissional.

João Lucas foi atacado por um tubarão da espécie cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, cerca de 24 horas antes do incidente com Marcela. No momento do ataque, ele estava no mar acompanhado de tios, primos e colegas. Além da amputação da perna esquerda, o menino sofreu fraturas na mão esquerda. Segundo o diretor do Hospital da Restauração, o cirurgião Petrus de Andrade Lima, o garoto chegou a perder "praticamente todo o sangue do corpo".

Marcela Vitória perdeu a perna direita após ser atacada por um tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ainda durante a internação na UTI, ela recebeu a visita do médico Mike Andrade, que presenciou o ataque e realizou os primeiros socorros na praia. O médico, que estava no Recife a passeio e é de Minas Gerais, foi ao hospital acompanhado de um primo da jovem. O profissional aplicou um torniquete ainda na areia para conter o sangramento da jovem.

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Com os dois casos mais recentes, Pernambuco contabiliza quatro incidentes envolvendo tubarões apenas em 2026. Em janeiro, um adolescente de 13 anos morreu após ser atacado na Praia Del Chifre, em Olinda. Desde 1992, o estado registrou 84 ataques, sendo 70 deles no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha, segundo o Cemit.

Tanto a criança quanto a jovem atacados estavam em área permitida para banho e numa profundidade considerada "rasa", com água até 1 metro, próximos a outros banhistas. Especialistas apontam como fatores de risco a maré alta, que permite aos animais cruzarem a barreira de recifes de corais, além da turbidez da água nos períodos de chuvas, que dificulta a identificação das presas naturais pelos tubarões.

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vão retomar o monitoramento de tubarões com microchip — projeto interrompido há 11 anos. O novo edital foi lançado em janeiro e o núcleo de educação ambiental da instituição foi contemplado. O monitoramento começa em julho.

Segundo a secretária executiva do Cemit, Danise Alves, o resultado final do edital foi divulgado em 14 de maio e o termo de outorga foi assinado na mesma data. A expectativa é que os recursos sejam liberados ainda em junho para que as equipes iniciem as atividades de campo no mês seguinte. O estudo prevê a captura de 50 tubarões por equipes especializadas para marcação com chip transmissor.

A pesquisa terá foco prioritário nas duas espécies de maior porte na costa pernambucana, que são também as com maior ocorrência de ataques: o tubarão cabeça-chata, que pode chegar a 3,5 metros, e o tubarão-tigre, de até 5,5 metros. O programa terá duração de dois anos, com investimentos da ordem de R$ 1 milhão, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco.

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes (Cemit) informou, segundo a fonte original, que não cogita interditar trechos de praias neste momento. As autoridades de saúde mantêm acompanhamento contínuo das duas vítimas, que seguem em recuperação no Hospital da Restauração.

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