A missão internacional do governador Jerônimo Rodrigues à Ásia, integrando a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca consolidar acordos estratégicos para o setor farmacêutico baiano. O objetivo central é a transferência de tecnologia para a produção própria de quatro medicamentos complexos, utilizados no tratamento de câncer e doenças raras, visando a autossuficiência e a redução de custos para o Estado.
Atualmente, a aquisição desses fármacos representa um investimento aproximado de R$ 1,7 bilhão por ano aos cofres públicos. Com a fabricação local pela Bahiafarma (Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Tecnológica), a expectativa do governo é que o valor por unidade sofra uma redução significativa. Medicamentos que hoje custam entre R$ 17 mil e R$ 20 mil por caixa podem passar a custar cerca de R$ 10 mil ou R$ 11 mil após a implementação da produção regional.
Medicamentos e parcerias internacionais
A viabilização desse projeto depende da formalização de termos de compromisso com indústrias farmacêuticas da Coreia do Sul e da Índia. No território sul-coreano, a parceria com a Samsung Bioepis foca na produção do Bevacizumabe, indicado para tratamentos oncológicos, e do Eculizumabe, voltado para doenças raras. Juntos, esses dois itens demandam mais de R$ 870 milhões anuais do Sistema Único de Saúde (SUS).
Já na Índia, os acordos envolvem a Dr. Reddy’s Laboratories Ltd. e a Biocon Biologics Limited para a transferência de tecnologia do Nivolumabe — uma imunoterapia aplicada em casos de câncer de pulmão, rim e estômago — e do Pertuzumabe, essencial no tratamento do câncer de mama. A demanda anual combinada desses medicamentos ultrapassa os R$ 800 milhões.
O modelo de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP)
O processo utiliza o instrumento das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), coordenado pelo governo federal. Esse modelo permite que laboratórios públicos, como a Bahiafarma, recebam tecnologia de empresas privadas para garantir o abastecimento do mercado interno e diminuir a dependência de importações.
Para operacionalizar a produção, a Bahiafarma realizou uma chamada pública em 2024, selecionando a empresa nacional Bionovis como parceira privada, que contará com o suporte tecnológico dos laboratórios asiáticos citados.
Além da economia direta, o governo estadual destaca que a iniciativa promove o desenvolvimento tecnológico da Bahia, a criação de postos de trabalho qualificados e o fortalecimento do polo biotecnológico regional.







