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Política

Veterinária alerta: esporotricose avança em gatos abandonados de Maceió e RG Animal pode não sair do papel

Especialista critica ineficiência do poder público local, cobra microchipagem gratuita e questiona se novo cadastro vai funcionar de verdade ou virar mais uma promessa esquecida.

Redação ChicoSabeTudo
19 de junho, 2026 · 06:32 3 min de leitura
Gato de rua em área urbana, representando os felinos abandonados e o risco de esporotricose nas cidades brasileiras
Gato de rua em área urbana, representando os felinos abandonados e o risco de esporotricose nas cidades brasileiras

Uma médica veterinária de Maceió (AL) disparou um alerta que vai além das câmaras municipais: a população felina abandonada na capital alagoana é enorme e está no centro de um surto silencioso de esporotricose — doença fúngica transmissível aos humanos por meio de arranhaduras e mordidas de gatos infectados.

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A declaração é da Dra. Arianny Omena, que atua na ponta do atendimento veterinário na cidade. Segundo ela, a esporotricose é hoje a maior dificuldade enfrentada por quem lida com felinos em Maceió, com tratamento longo — de cerca de seis meses — e proliferação acelerada entre os animais em situação de rua.

A fala da especialista ganha peso diante de um cenário nacional preocupante. A esporotricose tem chamado cada vez mais a atenção na área da saúde, e surtos em áreas urbanas transformaram essa micose em um problema relevante de saúde pública nos últimos anos. A doença tem se tornado um dos principais desafios sanitários urbanos, principalmente em regiões com grande número de gatos em situação de rua. Na atualidade, os gatos são uma importante fonte de infecção, podendo transmitir a esporotricose por arranhadura, mordedura e contato com secreções de lesões cutâneo-mucosas.

O contexto em que a veterinária se pronunciou é o avanço do Projeto de Lei nº 89/2026 na Câmara Municipal de Maceió. A proposta prevê a criação do Registro Geral Animal (RG Animal Municipal) e de um sistema de cadastro de animais domésticos na capital, com parecer favorável publicado no Diário Oficial do Município. De acordo com informações da fonte original, o texto foi considerado constitucional por tratar de interesse local, mas usa linguagem facultativa, deixando a cargo do Executivo a decisão de regulamentá-lo.

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Para Dra. Arianny, a iniciativa é positiva no papel, mas esbarra em um histórico de promessas não cumpridas pela gestão municipal. Ela cita o HC Pet, hospital veterinário inaugurado com grande publicidade em abril, que segundo ela ainda não funciona de forma plena. Quem precisa de atendimento acaba recorrendo ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que não foi criado para realizar castrações ou abrigar animais.

Outro ponto criticado pela veterinária é a questão da microchipagem. Sem um chip subcutâneo vinculado ao CPF do tutor, o RG Animal se torna facilmente descartável, perdendo sua principal função: rastrear e responsabilizar donos que abandonam ou maltratam animais. Caso o animal utilize um microchip subcutâneo que o identifique, o dispositivo poderá ser incluído no cadastro. O microchip é colocado por veterinários sob a pele dos animais, com um código associado aos dados do proprietário. Para a especialista, essa tecnologia precisa ser oferecida gratuitamente pelo poder público — caso contrário, o projeto beneficia apenas quem pode pagar.

A profissional também descartou o modelo de parceria com clínicas privadas para alimentar o banco de dados do novo sistema, citando o histórico de atrasos nos repasses municipais. Na avaliação dela, o sistema precisa ser centralizado e executado integralmente pelo poder público para ter alguma chance de funcionar. O projeto segue agora para análise das demais comissões e votação em plenário na Câmara de Maceió.

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