A defesa de Jair Bolsonaro (PL) tem até esta quarta-feira (15) para explicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) se o ex-presidente sabia que uma carta escrita por ele seria divulgada nas redes sociais pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O prazo de 48 horas foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, que também suspendeu por 90 dias as visitas do senador ao pai.
A carta foi lida por Flávio em transmissão ao vivo no último sábado (11) e depois publicada em suas redes sociais. No texto, Bolsonaro pede que apoiadores se unam em torno da pré-candidatura do filho à Presidência da República e o chama de "porta-voz" do grupo político na campanha.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária e está proibido de usar redes sociais, inclusive por meio de terceiros. As visitas ao ex-presidente também dependem de autorização prévia do STF. Para Moraes, Flávio usou o direito de visita com finalidade diferente da autorizada, ao transformar o encontro em oportunidade para divulgar conteúdo político. O ministro citou ainda um episódio de agosto de 2025, quando o senador transmitiu pelas redes uma fala do pai por telefone durante um ato em Copacabana, no Rio, como indício de reincidência.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE), que vai apurar se a divulgação da carta configura propaganda eleitoral antecipada. Com a suspensão das visitas, pai e filho só poderão se encontrar novamente a partir de outubro, depois do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4. O PT recorreu ao STF pedindo a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro, sob a alegação de descumprimento das medidas cautelares.
Em transmissão na noite de segunda-feira (13), Flávio negou que o pai tenha pedido ou autorizado a divulgação da carta e classificou a suspensão das visitas como uma tentativa de "interferir nas eleições".
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar organização criminosa na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele cumpriu parte da pena no Complexo Penitenciário da Polícia Militar e passou ao regime domiciliar por razões humanitárias ligadas à saúde.







