Um show do cantor Wesley Safadão na cidade de Tucano, na Bahia, virou alvo de uma grande polêmica. A apresentação do forrozeiro, que aconteceu durante o “Arraiá das Águas Quentes” em 13 de junho de 2024, foi parcialmente paga com uma verba de R$ 500 mil vinda de uma modalidade de recursos federais conhecida como “emenda Pix”.
Agora, a Controladoria-Geral da União (CGU) está questionando o uso desse dinheiro. Segundo apuração da coluna de Tacio Lorran, do site Metrópoles, a CGU descobriu que a cidade de Tucano recebeu cerca de R$ 19 milhões em cinco emendas Pix. O problema é que, em vez de serem usadas para obras e serviços diretos à população, essas verbas acabaram bancando despesas básicas da prefeitura, como contas de água, luz, internet, aluguel de carros, combustível e até mesmo parte do cachê do artista.
CGU aponta irregularidades no uso das verbas federais
As regras da Constituição Federal são claras: as emendas Pix, que são recursos enviados por parlamentares, não podem ser usadas para custear as despesas do dia a dia da administração municipal. Elas deveriam ser aplicadas em projetos e obras que beneficiem diretamente os moradores.
A auditoria da CGU revelou que mais de R$ 1 milhão desses recursos foram “pulverizados” pela gestão do prefeito Ricardo Maia (MDB-BA) para cobrir impostos, manutenção e outras contas básicas da prefeitura. O cachê total de Wesley Safadão para o evento foi de R$ 730,5 mil, com R$ 500 mil vindo dessa polêmica emenda.
As emendas que chegaram a Tucano foram enviadas por deputados federais e um senador: Alex Santana (Republicanos-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Marcio Marinho (Republicanos-BA) e o senador Otto Alencar (PSD-BA).
Prefeitura de Tucano se defende e nega irregularidades
Apesar das investigações da CGU, a prefeitura de Tucano negou qualquer irregularidade no uso das verbas. Em resposta à coluna, a administração municipal afirmou que as emendas Pix são “decisivas” para a cidade.
“As emendas parlamentares têm sido decisivas para a execução de obras estruturantes, para o fortalecimento das festividades tradicionais, impulsionando o turismo e a cultura, além de assegurarem despesas de custeio indispensáveis, que mantêm a máquina pública em pleno funcionamento e garantem a continuidade dos serviços essenciais. Os investimentos realizados não apenas qualificam os espaços urbanos e rurais, como também movimentam a economia local e regional, fortalecendo o comércio, estimulando fornecedores e prestadores de serviços, gerando emprego, renda e novas oportunidades para a população tucanense.”
A polêmica segue enquanto a CGU aprofunda a investigação sobre como esses milhões de reais estão sendo aplicados no interior da Bahia.







